Sobre não saber

Quando a gente cresce e as coisas ganham forma. É nesse exato momento que a gente nota, ou ao menos começa a notar, o quanto idealiza os arredores. É nessa hora que vêm as facilidades, as comodidades, a mania de achar que tudo deve ser como tem que ser. Na verdade, é nessa hora que a ficha cai, que o mundo adulto cerca e que a gente se pergunta coisas que antes, estejam eles por perto ou não, foram nossos pais que responderam por nós. Sobre não saber, só posso dizer uma coisa: ainda é a melhor saída.

Não sabemos o que vem depois do hoje. Sim, planejamos, organizamos, tentamos, procrastinamos. Mas, não adianta, ninguém sabe o que vem depois do relógio. E é por isso que acredito que não saber é o caminho. Quando não pensamos demais, idealizamos pessoas, imaginamos situações ou fazemos qualquer coisa que limite nossas possibilidades, essas que ainda subestimamos, as coisas fluem com mais naturalidade. Não que devamos estudar o destino ou calcular probabilidades de qualquer coisa cósmica, mas não é preciso muito para entendermos que tudo que é natural simplesmente se adapta. Sim, tudo acontece porque precisa acontecer.

Sobre não saber, ficam as minhas dúvidas sobre o próximo trabalho, sobre a próxima poesia ou a próxima paixão. Ficam as dúvidas sobre os meus medos, as certezas das minhas falhas e a mania terrível que ainda tenho de bagunçar as próprias unhas. Características pessoais? Características? Talvez. Mas me sinto muito mais à vontade quando não preciso rotular o que não sei. Aliás, sobre não saber, incluo minhas próprias questões, minhas próprias barreiras e tudo aquilo que um dia, ou ainda, não fui capaz de aceitar. Afinal, saber as coisas é alto demais e eu gosto daquilo que posso alcançar, sobretudo com o tempo.


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