Instante

Sentado, bem na sua. Foi assim que te vi. Foi assim que te reparei, que distraí o que pensava. Você estava ali, bem pertinho, quietinho e lendo um livro. Enquanto isso, a folia acontecia. Havia empregadas, piratas, unicórnios e havaianas. Havia gente de todas as formas fazendo Carnaval.

Você, no entanto, nem pareceu ligar. Passou página por página, mudou de lugar. E quando eu pensava que não te veria mais, sentou-se ao meu lado. Pude ler o que lia, sabia? Li contigo até a página cinco. Era sobre a história de algum lugar e a evolução política e econômica naqueles dias. E você lia. Você lia.

Foi assim que pensei como seria se desse certo. Se não fosse só um pensamento, dê saltássemos no mesmo vagão. Foi ali que percebi como é comum conhecer as pessoas. Como é comum, como é corriqueiro. Podia haver o mundo inteiro naquele espaço, mas foi ali, do seu lado, que entendi a ordem natural das coisas. Natural mesmo, questão de sorte.

Sentado, bem na sua. Foi assim que te vi. Pena que chegou minha vez de saltar.

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