Percepção

Eu escondo de mim qualquer folha de papel. 
Eu faço de mim o esconderijo do que escrevo. 
Eu acerto, eu tropeço. 
Mas o que fica é mais forte, é o que amo. 

É a sensação de rabiscar o papel, é a ideia de fechar os olhos e sentir. 
Sentir o céu, o ar, o que respiro ao respirar. A escrita. Sempre a escrita. 

Mesmo quando eu pensei diferente, mesmo quando pensei ser de gente. Sim, sim, eu sou. Eu amo gente. Mas é que eu sou tão minha quando escrevo, é que eu sou tão minha quando penso, no escuro, com uma caneta na mão e um papel na cama. 

É a emoção que dá, a sensação que faz com que eu pense que nada, nada mesmo, me realiza mais. É o sonho, o sentido, o pensamento aleatório. 
É o amor, a briga, o sexo, a vida, a raiva, o personagem que morre por amor. 
É a sensação de chuva mesmo no sol. É a nuvem que rodeia meus sentimentos mais profundos.

É quando eu respiro fundo, quando me afogo sozinha. 
É quando eu fico de lado por algo que eu mesma deixei de fazer. 
É quando me reconheço, em meio a outro mundo, outros dias. O que eu preciso fazer. 


Agonia e êxtase. 
É catarse. Só catarse.

Nada mais.



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