Amor de metrô

Daqueles bem clichês, daqueles de foto do Instagram. Um amor repentino, de alguns minutos e de um olhar intenso que acaba na estação seguinte. É, não é fácil lidar com dias cheios.

Quando a porta abriu, tudo que eu queria era chegar. Sair dali, ir a algum lugar. Quando a porta abriu e ouvi aquela voz, eu sabia: um clique se formava em mim. Eu esqueceria, mudaria e me perderia em pensamentos nos segundos que viriam, mas, disso, eu não fazia ideia.

Então a porta abriu. De novo. E, de acordo com o vagão, ali era o único ponto em que podíamos nos encontrar. Metrô cheio, sabe como é. Às vezes é como se o amor passasse pela gente, sem identificação, e pedisse licença. Sabe, aquela na pressa?

Durante bons minutos ficamos ali, um na cara do outro. Olho no olho, celular no celular. E mesmo que a conversa parecesse agradar, ainda parecia que tínhamos nos conectado. Por um segundo, de lado, mas tinha acontecido.

Eu reparava seu sorriso, seu olhar atento e seu ouvido. Ok, vai, ninguém repara o ouvido de ninguém, mas a palavra rima e amor de metrô é assim mesmo: repentino e cheio de talvez. Vai que, num conto moderno, a voz do metrô era a trilha sonora? Vai que, num conto moderno, bastava que déssemos um "oi" pra que saíssemos na mesma estação?

Será?




12 comentários:

  1. Ótimo texto! Acredito que amores repentinos são os melhores!

    bjs
    www.livrosdabeta.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  2. Olá adorei a escrita e texto de forma geral, falar de amor e amores é sempre bom!

    ResponderExcluir
  3. Lembrei de 'todas as cartas de amor são ridículos', isso que é amor, repentino, surpresa ridículo e clichê.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ridículas nada, né? Beijos, Lilian!

      Excluir
  4. Adorei o texto! Eu adoro obras que falem sobre o amor.

    beijinhos!

    ResponderExcluir
  5. Que texto lindo! Me identifiquei bastante hahah <3

    Beijos,
    Livros que Li

    ResponderExcluir

Agradeço sua visita e espero que tenha gostado. Volte mais vezes!