É...

Caminhando pelas ruas da cidade, sempre vejo mais, sempre penso em mais. Qualquer beco, esquina, livraria, café. Não há momento em que eu não pense naquela tarde. Caminho pela beirada, desvio dos carros e dos ciclistas. O tempo está esquisito, tal qual meus sentidos. É como acordar e caminhar sem rumo, sem intenção de exercício, só relaxar.

Vejo cachorros e seus donos, vejo senhoras tomando café nas padarias, vejo crianças correndo na praça, respiro o ar puro. É uma pena que teu perfume tenha sumido. Só o sinto vivo em pensamentos, em sonhos mal inventados. Meus cabelos presos deixam fios soltos ao vento, enquanto paro e admiro um casal, andando lado a lado. Penso e penso de novo nos arrepios que senti, mas continuo andando. Nada como as primeiras horas da manhã acompanhada de meus próprios pensamentos. Quando volto pra casa, volto pra vida. Deixo a vontade de vagar até encontrar um lugar diferente pra sentar e refletir, admirar a vida que passa sozinha e me espreguiço na cama. Leitura é sempre o melhor remédio pra afastar a saudade, ao menos no meu caso. Então leio, enquanto folheio e penso nas suas linhas. Enquanto o faço e deixo longe a possibilidade de me levantar, almoçar ou qualquer coisa, lembro do sabor do teu beijo, das tuas mãos nas minhas. E durmo. Mal consigo me lembrar de quanto tempo me deixo levar pela sensação de embalo que só me atinge quando chove.

Penso em mim, no meu corpo, nos meus olhos e no que passo quando te encaro. Não há momento em que eu esqueça o seu sorriso. Mas agora sonho acordada e um livro repousa sobre mim. Abro os olhos e reparo nas nuvens, lugar em que já pensei estar. E chove. Não sinto o aroma que sentia, mas sinto presenças que nunca soube identificar. Então reflito. Reflito e sorrio porque concluo apenas sobre o que já sabia e deixo as novidades por conta das horas que ainda não vivi. A manhã desaparece, mas nada muda. Ouço pássaros, ventiladores, relógios. Mas nada me tira do estado em que me encontro agora, tão livre, tão plena. Talvez eu nem me levante e resuma meu dia em ouvir sons que nunca reconheci. Talvez eu resolva fazer algo novo. É tudo meu, é tudo parte de mim. É como se os sentidos não precisassem fazer sentido. E não precisam, sinto como se nunca tivesse antes.

Respiro fundo. Respiro fundo porque agora sei o futuro.
É só mais um dia, nada mais.
É só catarse. É só chuva.




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