Deixar ir não é só deixar

Dia desses conversei com alguém sobre deixar ir. Falamos por horas, pensamos por horas e ainda bem que existe tecnologia, porque deixar ir não é fácil de falar e passamos bons minutos discutindo esse conceito. De tudo o que dissemos, o que inclui muita coisa, o que mais guardei foi a parte sobre o amor. Gente, alguém me explica por que raios isso é tão fácil e tão complicado? Já deveria existir um dicionário com essas coisas.

Quando começamos o papo, já nem sei da hora (eu nunca sei de nada, já diria Mallu), a ideia era entender a dificuldade das pessoas em deixar ir. Pode ser outra pessoa, alguma chance, algo que passou ou que não aconteceu. A ideia era ver que, na verdade, cada um leva consigo uma capacidade de lidar com a perda, ou mesmo com a opção de perder. Até então, tudo bem, logo estávamos dizendo um ao outro que deixar ir é legal quando sabemos que é o melhor a fazer e que cada um faz isso de um jeito diferente. Mas, sabe, depois não deu muito certo. 

É que a conclusão veio rápido e muito pronta, como se estivéssemos prontos pra dar uma lição de autoajuda. A conclusão veio segura da análise e analisar tudo pela segurança dá a impressão de que algo falta. Pena que eu me dei conta já deitada, ouvindo minha playlist e insistindo no pensamento. Já tínhamos nos despedido quando eu olhei pro teto e percebi: com o amor a coisa muda. Foi quando me dei conta, já um tanto sonolenta, que deixar ir não é só deixar porque tem gente que nem sabe que deixou. Que deixar ir, de vez em quando, envolve fitas imaginárias que não se soltam só com o roçar das mãos. E que tem gente que dá tanto nó que nunca mais aprende a desfazer. É, eu sei, ouvir música me deixa poética, mas era óbvio. Deixar ir não é só deixar, deixar ir é recomeço.

Mesmo que seja pra desaprender. 





Gostou? Para receber os próximos posts, clique em "Participar deste site"!

0 Comentários:

Postar um comentário

Agradeço sua visita e espero que tenha gostado. Volte mais vezes!