Maturidade é coisa que é colocada à prova todos os dias. Não importa como, não importa o meio, o teste vem de todas as formas. A cada dia que passa, no entanto, ficamos mais incomodados com os menores deles. E, às vezes, pasmem, são realmente mesquinhos.

A arte de ignorar, como a de deixar passar, ou passar por cima, se preferirem, começa cedo. Começa na escola, com brincadeirinhas sem importância, começa na faculdade, com interesses avessos aos nossos e começa no trabalho, muitas vezes, com medidas impostas ou preferências secundárias. Mas isso não significa que saibamos identificá-las, que saibamos lidar com elas. Até certo ponto da vida, na verdade, apenas nos deixamos levar, carregando toda a energia negativa que é esperada daquele que se coloca como o mais importante.

Bom, este texto visa mostrar que não, não é assim para sempre. Primeiro, porque se cresce e ao crescer, se adquire conhecimento, o que permite uma mudança de visão. Segundo, porque ninguém é dono de ninguém, mas é aos poucos que a gente percebe que certas coisas funcionam melhor quando completamente ignoradas. Sim, ignoradas. Sem respostas, sem debates, sem ibope. Com o tempo, a gente aprende que além de tudo se tornar ensinamento, tudo nos constrói. E o simples fato de nos deixarmos construir por sentimentos de raiva ou rancor, exatamente o oposto do que vivenciamos, estraga o bem que nos rodeia.

Quantas vezes perdemos o sono por pessoas sem importância? Quantas vezes nos deixamos levar pela mesma imaturidade com que lidamos? A arte de ignorar, por assim dizer, é de desenvolvimento lento e gradual. Não é de aprendizado rápido, nem se consegue de um dia para o outro. Mas exige persistência, exige deboísmo e exige a gentileza para com nós mesmos de não nos importarmos com o que não vem de dentro. Afinal, maturidade é particular. E como diz a frase, cada um dá exatamente aquilo que tem.




Quando fica a sensação
de missão cumprida
Quando fica a certeza
de que algo se fez

Quando fica a verdade
e vai embora a raiva
A mágoa,o rancor
A falta do que tínhamos

Quando fica a saudade
mas fica saudável
porque, na verdade
o amor transcende

Sempre.


Acordar e ter a consciência de que a vida é a mesma, de que as pessoas não mudam. Acordar e ter a consciência de que a vida segue normal, não importa o quanto a gente mude. Não importa o quanto a gente cresça, o quanto a gente perceba diferente certas coisas. Chega um dia em que a gente acorda e olha ao redor, mas olha e vê. E se pergunta se é mesmo isso aí, como diz o cantor. 

Chega um dia em que a gente se pergunta se é isso que entendemos como viver, como conviver. Se é através de diferenças, se é através de discussões, discordância ou intolerância. Chega um dia em que a gente se dá conta que crescer é isso, é enxergar. Quem são as pessoas, o que são as coisas. O que leva um ou outro a agir como agem. 

Acordar, na verdade, significa acessar um universo que muitas vezes nos é poupado. Um universo em que são os adultos que definem, que limitam. Adultos que nem sempre sabem bem o que fazem. E a gente acorda, querendo ou não. Por vontade própria ou pela vida, que pede evolução. A gente acorda e tem a consciência de que a vida é a mesma, de que as pessoas não mudam. A gente acorda e tem a consciência de que a vida segue normal, por mais que muito do que se considere normal seja impossível para uns ou outros.  

Sabe, chega um dia em que a gente olha ao redor e vê. E é interessante como isso nos afeta. 
Talvez, só talvez, escrever seja a minha forma de demonstrar maturidade. 







Que fique, que demore e que faça voltar os sorrisos contínuos.
Que continue menino, continue fazendo acreditar.

Que seja alegria, risada solta e um bando de flores no jardim da frente.
Que seja da gente o estímulo quando o assunto for desistência.

Que una o amor aos seus e os seus ao amor, que faça algum sentido nos corações mais duros.

Que traga sementes a serem plantadas, não só por vontade, mas por esperança.
Que traga com o vento a bonança, porque a tempestade sempre passa.

Que faça acreditar naquilo que o sonho traz, que faça plantar a ferramenta para começar.

Que fique, que demore e que faça perdurar a empatia.
Que continue, que persista, mas que faça valer.

Que seja carisma, sabedoria e bondade, que traga a verdade e elimine a dor.
Que seja de nós a metade, ainda que falte um tanto de amor.




Pra ficar, pra ficar de vez
Pra tocar meu rosto, me beijar
Condição pra tanta coisa
Condição pra tanto afeto

Pra me abraçar nos dias frios
Pra me beijar de novo
Condição de tempo, de espera
Condição que aqui nada nega

Condição pequena, ego enorme
Condição que cega, mas que garante
Pra ficar, pra ficar de vez
Pra tocar meu rosto, me namorar

Condição, só
E eu fico também.


 
Preso nos pensamentos
Como se não saísse mais
Como se fosse o vento
A cortar meu caminho

Meu cabelo, meus pulsos
Tudo causado pela mesma sensação
Inóspita
Inóspita e esperada
Como se reagisse a uma bala

Um disparo, nada mais
Um sentimento cravado
Como se não saísse mais
Preso nos pensamentos
Como se fosse o vento

Como se fosse o vento.


Vai ser simples, sem caso pensado
Vai ser perfeito pela imperfeição
Vai ser comum, nada de esperar
Nada de idealizar, nada mesmo

Quando acontecer, vai ser com defeitos
E você vai sentir, porque vai ser forte
Vai ser companheiro, vai ser amigo
Vai ser do jeito que você sempre quis
Só que não

Mas vai fazer sentido, você vai pensar
Porque nada precisa seguir uma linha
Nada precisa seguir uma receita
Nada mesmo

Quando acontecer, você vai sentir
Porque vai ser maior que tudo.




Te prendo na retina, te prendo na rotina. Te prendo de tanto jeito que nem me solto mais.

Sempre começa assim. Eu com você, você em mim. Nos pensamentos, na escrita e na saudade. Na vontade que fica de passar colados o dia, a noite e a saideira.

Sempre começa assim e os nossos corpos se arrepiam. Se conversam, se esquivam. Então vem a tensão e o equilíbrio, um tentando fazer o outro compensar a falta que isso faz. Porque faz, a gente sabe que faz.

Te prendo na retina e te prendo na rotina. Por cima, nas nuvens, por baixo dos panos. Te prendo na cortina nos meus planos, no que eu ando a cada esquina. Todo dia, toda hora.

Te prendo de tanto jeito que já nem me solto mais. 

Gosto assim.


Gente que escreve, dizem alguns entendidos, é gente que pensa. Gente que imagina, voa, flui. Gente boa, na maioria das vezes, que gosta de se perder no tempo, no espaço e no mundo da lua, como minha mãe costuma dizer. Gente que escreve é gente que supera o que passa através das palavras. Isso é bonito, considerando que cada um tem um jeito específico de superar qualquer coisa. Mas, não sei se vocês já repararam, quando é na escrita, tudo parece fazer mais efeito.

Seja um problema pessoal, profissional, amoroso ou uma crise. Na escrita, tudo se intensifica. É como se tivesse sido criada pra receber relatos, lembranças e frases de efeito disparadas sob a premissa de encantar quem lê. É como se tivesse sido pensada pra reunir pessoas em estágio pensativo com um único objetivo: tornar palpável o que se sente. Na escrita, ficam as mágoas, as dores. Mas também fica o amor, o tesão e a saudade. Quero dizer, quer psicologia melhor?

Não sei se vocês sabem disso, mas eu aprendo a cada dia. A cada verso, a cada texto e a cada linha. Aprendo a limitar, a não chorar e principalmente a reconhecer as lições que a vida sempre traz. Mas é algo meu, assim como pra vocês a paz pode vir de outras formas. Pra mim, é assim. E é particular, é instigante. É a minha forma de dizer que estou bem quando estou bem e que estou mal quando estou mal. Escrever, assim como ouvir música, cura, cura mesmo. E serve pra todos os males.

Ainda bem.



Enquanto houver
Enquanto ficar
Que dobre o tempo
Que perca o medo

Que conte segredos
Que valha o dia
Que seja eterno
Enquanto ame

Enquanto quiser
Enquanto puder
Que seja bonito
Que seja intenso

Que venha o dia
Que venha a saudade
Que venha à vontade
E decida ficar.