Por todas as vezes
Por todos os erros
E pelos acertos
De agora

Pela culpa que levo
Pelo que deixei pra trás
Pelo que senti ao sair
Pelo que sinto hoje

Eu que o diga, meu bem
Por tudo que fica
Pelo que foi além
E pelo nada

Eu que o diga.



Que digam o que quiserem, que ponham a culpa em algum filme. Que falem das estrelas, do posicionamento dos astros e das religiões. Que continuem afirmando que o destino é quem diz. 

Que venham os românticos com a ideia do drama e os engraçadinhos ligando felicidade e humor. Que continuem tentando me fazer acreditar que acreditar é só questão de fé, não de fé e de ser. Que tragam flores, presentes, bombons. Que pensem que explicam o amor. 

Que venham as tardes frias, a graça da neblina. A simplicidade do vendedor de rua e a sonoridade do cachorro do vizinho. Que venham, que continuem vindo. Que venha o canto dos pássaros e a sensação de dever cumprido.

Sou eu que escolho acreditar. 



A beleza dos pássaros
O soar das buzinas

O canto dos carros
Virando a esquina

A beleza de ser
De viver
Todo dia

E o triste fim
do meu amor

Quem diria, penso eu
Que algo tão intenso
Acabaria

Tão cedo.


Falar de um livro é fácil, flui bem. Falar de dois, também. Mas, quando o assunto é participar de um grupo cuja participação significa receber antes de todo mundo os 5 primeiros capítulos de uma escritora que você ama, a coisa dificulta. Hoje, para a alegria de muita gente, inclusive a minha, mais um e-book nacional é lançado. Hoje, para minha alegria em particular, libero mais uma participação do Ensaiando em uma postagem coletiva.



Sinopse:
 A grande obstinação do capitão Christiano Vicenzo é chegar ao topo máximo da carreira, ou seja, ao generalato do Exército. Para alcançar a sua meta, precisa manter uma vida pessoal e profissional irretocável.

Tudo começa a mudar quando ele serve em Niterói e conhece Nina, uma jovem com problemas sociais que ultrapassam – e muito – o que ele idealiza como protótipo de par perfeito. Fascinado pela garota, o militar decide arriscar no relacionamento, mas não imagina que, ao ser convocado para integrar a Missão de Paz no Haiti (MINUSTAH), terá sua história ao lado de Nina tragicamente desviada.

Inconformado com os caminhos que o destino escreveu para si, Christiano vai descobrir com o tempo que a maior batalha na reconquista do amor perdido talvez seja enfrentar as mágoas do passado e que a felicidade não segue regulamentos.
Um romance sensível e resistente ao tempo, que mostra que até mesmo para servir com dignidade à pátria é preciso que a pessoa por trás da farda esteja em paz com o coração.


Pátria Chamada Amor é uma promessa. Simples assim. Um romance, uma guerra, um destino e dois corações pulsando ao mesmo tempo, ainda que tímidos no quesito amor. Começar a leitura foi automático. Para quem conhece a escrita da autora, é questão de minutos até que a leitura prenda. Para quem não conhece, vejo como o livro ideal para conhecê-la.

Nina, uma estudante de Medicina. Christiano, um militar. Nina com seus problemas e uma rotina que logo sugere pequenas surpresas. Christiano com seu trabalho, sua disciplina e uma atitude que logo demonstra o quanto podemos nos enganar nos assuntos do coração. PCA, se é que me permitem a ousadia de encurtar o título, é um livro que capta a atenção desde o começo. E o que mais chamou a minha foi a falta de clichê. Sim, isso mesmo. Ainda que todo romance seja um tanto clichê, não identifiquei aquele elemento que nos faz presumir o final da história. Culpa da escrita? Não sei. Isso é bom? Com certeza.

Os primeiros capítulos somam lindas 123 páginas, mas sentir passar é outra história. Com muito romance, humor, jargões explicados no rodapé e uma narrativa alternada entre os personagens, devorar o e-book, imagino eu, é questão de ter o dia livre.

Fico muito, muito contente de participar dessa ação! Quem quiser, já pode garantir o mais novo livro da querida Marcia Rubim na AmazonPátria Chamada Amor



Assim que garantir o meu, terá resenha no Skoob. :)
Sobre quando era verdade, quando era recíproco. Sobre quando andávamos juntos e desejávamos as mesmas coisas. Sobre mim, sobre você e sobre como combinávamos em tudo. Sobre nós dois.

Sobre quando acordávamos juntos, quando escolhíamos o próximo filme. Sobre gostarmos um do outro o suficiente para não nos desgrudarmos. Sobre você e sua mania de roer as tampas das canetas, de me cansar falando de amor. Sobre mim e a mania que eu tinha de não querer ouvir porque achava que entendia tudo. 

Sobre as nossas vidas e famílias, sobre o que dizíamos que formaríamos. Sobre as homenagens bobas no computador e sobre as vezes insanas em que apagávamos as luzes e dançávamos ao som do nada, no escuro. Sobre beijos, saudade e aquela vontade de sentir falta só pra nos separarmos um pouquinho. 

Sobre nós dois, sobre ser abrigo. Sobre nós dois, sobre sermos amigos. 

Há textos que a gente precisa escrever.



É hoje, é depois
Agora, nós dois
Num dia qualquer

Quem sabe é agora
É aqui, é afora
É de longe, de perto
É o tempo que der

Quem sabe é esperto
E repete, abastece
Satisfaz, como deve
E fica de vez

Quem sabe, não sei
Quem sabe, talvez

Talvez
E só.



Há quem chame de frescura, há quem chame de drama. Ser intenso, nos dias atuais, significa não dominar os próprios sentimentos. Melhor dizendo, muitas vezes traduz alguém sem equilíbrio emocional. Será?

Já faz um tempo que é assim: se você sente, você guarda, especialmente se a sua verdade for capaz de magoar alguém. Já faz um tempo que expor os sentimentos mais profundos é sinônimo de fraqueza. Bom, ao menos é o que parece, já que gente forte consegue se controlar. Mas, fica a dúvida: será mesmo que a gente sabe o que é ser forte?

Força significa garra, não a capacidade de engolir o choro. Muitas vezes somos fortes e não sabemos, muitas vezes encontramos nossa força em um abraço. Isso acontece porque força é algo que vem de dentro e não tem exatamente um caminho. Não é mais fraco que você alguém que chora no cinema ou que fica bobo quando se apaixona. Não é mais forte que você alguém que ignora o outro ao invés de responder a uma provocação. Cada um tem um jeito de ser e é preciso que saibamos disso.

A intensidade vem com a maneira que encontramos de lidar com a nossa força. Algumas pessoas se julgam intensas sem dizer "eu te amo", enquanto outras se julgam intensas justamente pela facilidade com que o fazem. Isso é maravilhoso, porque são os sentimentos que dizem quem somos. E como não somos iguais, a resposta é uma só.

Sobre intensidade, é interessante que tenhamos em mente que não é necessário julgar. A qualquer momento você pode ser parte do clube dos intensos, a qualquer momento pode não ser mais. O que vale é reconhecer o lugar em que você se sente bem. Não importa o dia, não importa o que dizem. Aliás, quem foi que disse que o que dizem dita algo sobre você?



Que seja
Quando for, que seja
Mas que venha completo
E ame por inteiro

Quando for a hora
Quando chegar o dia
Quando for sentimento
Só tempestade

Que venha
Não pela metade
Não pelo que falta
Mas pelo que fica

Quando for, que seja
Que traga abrigo
Que divida sonhos
Que seja a dois.


Que desejamos no outro o que vemos por aí e que defendemos bem alto quem fala o que sente. Que não desistimos na primeira tentativa e que apagamos da memória qualquer coisa que atrapalhe a nossa segunda chance.

Clichês somos nós, amigo. Você e eu. Gente que ignora o olhar de quem não é exatamente quem gostaríamos que fosse, mas bloqueia o carinho de um conhecido porque é de um conhecido, não de uma doce amizade.

Clichês somos nós porque a gente assiste a filmes que fazem chorar e acha bonito alguém se deixar sofrer enquanto assiste a um romance dramático. Porque acreditamos em destino, porque a gente ama bonito e gosta de flores nas horas certas.

Clichês somos nós porque ninguém mais tem a mesma habilidade quando a palavra é saudade. Quando é reciprocidade, então, é questão de domínio.

Clichês somos nós porque nós sentimos. E isso é maravilhoso.



Naquela festa, naquela noite. Reparei de longe, enquanto você se gabava de algo que havia comprado.

Permaneci ali até que me visse de volta, o que não aconteceu. Mas tinha alguma coisa em você, tinha alguma coisa no seu sorriso. Não me parecia real.

Lembro de ter pensado que era só impressão. Afinal, você se gabava e sorria quando alguém mais dizia como era bom estar na sua pele. Lembro também de como me senti quando percebi que seus amigos se afastaram e seu olhar baixou ao ficar só.

É, eu sei. Estar rodeado de pessoas não é estar acompanhado, não é?

Reparei de longe, ainda de lado, o jeito com que coçou o queixo e se despediu. Sorriso típico de fim de festa. Tudo que eu queria, pensei, era que você me visse de volta. Você, que te vissem por fora.

Então te vi. E acho que entendi porque não aconteceu.