Talvez não, eu digo. Talvez não seja assim. Quando o assunto é amizade, há que se perdoar, há que se reconsiderar. Nem todo amigo é verdadeiro, eu sei, mas há quem não seja por simplesmente não saber.

Não, nem todo amigo tem consciência de que não é. Nem todo amigo pensa no outro nas horas certas, pensa no outro quando o outro precisa. Somos humanos, erramos e temos de ter noção de que não é possível controlar tudo. Como canso de dizer, amizade é seleção, mas a seleção é natural. E mesmo que alguns amigos cheguem e vão, é imprescindível que façamos sempre o possível para manter aquele relacionamento.

Parto do princípio de que temos que ser a nossa melhor versão. Meio torta, talvez, meio incerta e às vezes rodeada de erros e consertos, mas temos que tentar, não importa o que aconteça. Talvez não, eu digo. Talvez não seja fácil, tampouco uma atitude simples. Mas quando o assunto é amizade, entendo que nada se acaba de repente ou acaba sem motivo, nem deve ser assim. Por isso, mesmo que o outro não reconheça ou custe a reconhecer sua parceria, continue. Mesmo que não demonstre nas horas que deve ou seja presente só por ser. Cada pessoa tem que ser o seu melhor e, cá entre nós, nem todos possuem as mesmas qualidades.

Pensando alto, acho que a verdade sobre nossos amigos é muito simples: eles são o que eles são. E acho que cabe muito mais a nós manter ou não por perto quem nos merece do que depositar nos outros a responsabilidade de crescer um sentimento que, muitas vezes, parte de um lado só.



Vem, vira meu abrigo. A vontade que sigo sentindo de te acompanhar. Vem porque é comigo a história e é narrada por dois. Vem porque não tem certo ou errado e a gente repete o caminho quantas vezes quiser.

Vem porque nos pertencemos, porque entendemos os sentimentos que escondemos no começo. Vem porque é apreço, é saudade, é vontade que não se larga. Vem, não se intimida, muda de rumo e me encontra na calçada. Me diz que não é nada, que veio pra ficar.

Demora, se quiser, mas vem porque vem. Porque combinamos, ainda cedo, de sermos só um do outro. Vem porque é pouco o tempo que passamos juntos, porque vale cada segundo. Vem porque você sabe, mais do que eu, o que é se apaixonar.


Reluz, vira paz
Faz de conta
Não existe

Quando é luz, sobrevive
Cria todas as respostas

As memórias, os sons
O que ainda chamamos de dom

Quando é luz, vira paz
Mas pelo que leva
Não pelo que vai.


Sobre o que fica, o que dura. Sobre o que a vida chega e muda, como se caminhasse nossos passos. Só o que sei é o que faço, o que ainda me faz feliz. Só o que sei que é solidão, só o que sei que é paixão. Só o que sei uma série de coisas, embora ainda seja aprendizado.

Só o que sei, se tiver que dizer, digo que nada sei porque estou a entender. E a seguir, apesar de só, acompanhada de tanta gente. É sobre o que causa, é sobre o que flutua. Sobre as coisas que sobram e a gente prepara com os mesmos temperos. Sobre ontem, amanhã, o dia inteiro. Sobre um mundo de gente que nem sempre nos vê.

Só o que sei.



Aos que veneram, aos que instigam
Aos que tornam as palavras verdade

Aos que brilham sós, mas acompanham
Aos que espalham seu amor pelos cantos

Aos que amam sem pedir em troca
Aos que fazem sem querer de volta
Aos que insistem em perdoar

Aos que erram ao acertar e
aos que acertam tentando

Gratidão.


Quando eu olhar pra ele, quero que me veja de volta. Quero que enxergue meus defeitos como eu o enxerguei, mas quero que reconheça em mim a pessoa que vai ficar ali, ao lado dele, até o último minuto possível.

Quando eu olhar pra ele, quero que saiba que sou a mesma de sempre. E que vou continuar fazendo tudo que prometi a mim mesma que faria quando encontrasse o meu par. Quero que ele saiba que tem em mim uma amiga, além de qualquer outra coisa, que tem em mim uma verdadeira ouvinte.

Quando eu olhar pra ele, quero identificar o nosso primeiro sorriso, nosso primeiro beijo e todas as coisas que pensamos que estragariam esse relacionamento pelo simples fato de termos passado, os dois, um tempo considerável sem nos encontrarmos na vida. Quero sentir, pelas bochechas coradas, que encontrei o cara certo porque ele vai me olhar de volta e passar toda a confiança que construímos juntos assim que resolvemos embarcar nessa aventura.

Quando eu olhar pra ele, quando nossos olhares se encontrarem, quero sentir a cumplicidade que nos prometemos naquele início. E que seja um início, não importa quanto vai durar. Porque queremos, porque estamos. Porque vou estar disposta ao que tiver que estar quando for a hora.

Quando eu olhar pra ele, espero que saiba que terá em mim sua mulher. Porque é isso que vou querer me tornar.

Amém.


O soar da tua voz me arrepia quando chega e mesmo que eu esconda, meu olhar te reflete. Finjo te observar escondida, mas o que os olhos perdem é revelado pela alma. O tom que eu vejo é o mais brilhante possível e o marrom dos teus olhos se torna vivo sob a luz. Finjo que é apenas muito tempo sem encontrar uma razão, sorrio em plena tarde e me sento ao seu lado como se não soubesse o que aflora em mim.

Não sei como a lua influi no comportamento e não faz mais diferença se é nova ou cheia, pois permito que me ilumine o rosto e ilumine o seu desde que não amanheça. E eu minto, finjo para mim mesma que sou só uma conhecida, por mais que saiba ser mais, por mais que eu saiba que sinto algo forte por dentro. Algo que me prende ao seu olhar, talvez sua voz, que ecoa e ecoa até que eu durma e esqueça.

Pode ser só impressão, talvez alguma solidão. Talvez eu só me sinta só, mas o sentimento persiste e eu preciso dizer o quanto me toca. Espero paciente por um sorriso de volta, um sorriso que vem tão devagar quanto o vento no verão. Mesmo que não se complete, sei que o tenho, faz morada em mim embora não haja pedido. Nos meus sonhos, distraída e acordada, até que desapareça a imagem de nós dois, penso que valeria cada segundo. Independente de quem somos, juntos ou não, penso que qualquer momento valeria se fosse a eternidade a responsável por coroar esse sentimento, o mesmo que sinto quando não estamos próximos, mas sinto teu rosto próximo ao meu.

O seu e o meu, juntos, não importa o que aconteça. O meu anjo.

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Escolhas. Escolhas que fazemos enquanto o tempo passa. Saudades são memórias, são pertences que guardamos de forma que nada, ninguém, consegue encontrar. E acessamos sem medo, acessamos com desejos, trazemos sentimentos que não deveriam ser companhia.

Não, nem sempre as saudades são vivas. Nem sempre trazem paz, nem sempre trazem colo. Às vezes, desmedidas, trazem dores que só se curam na presença do nada, na falta de registros. Muito embora insistamos no erro, muito embora saibamos dos anseios do que chamamos de alma.

Saudades, concluo, são imagens que ficam porque alguma coisa precisamos levar. Aprendizado, tombo, acertos. Saudades são feitos dos quais nos orgulhamos por alguns instantes, por isso nos lembramos com tanta força. Tanta, talvez, que precisemos apagá-las, tantas que configuram perda e choro, raiva e falta. Quanto a isso, cabe a nós a visão do lado bom.


O que sobressai
O que nunca sai
O que vira evidência
A clareza dos fatos

O que nunca muda
O que muda sempre
O que sempre mente
E nunca acrescenta

Saída, talvez
Saída uma vez
Repete-se o trecho
Repete-se a chance

Daquilo que dura
Daquilo que toca
Do que faz morada
Na casa dos outros.


Entendam, não é regra. Amizade não vem com contrato. O que eu sei sobre o assunto muito me envolve, mas muito me denuncia. Afinal, quem nunca foi amiga e depois descobriu não ser? Amizade, meus caros leitores, é coisa que se preza. E zela, e guarda. E não passa a mão na cabeça só porque existe uma ligação.

Amizade, quando real, não vê cara ou residência. Nem distância ou paciência, nem signo ou crença. O que basta para que duas pessoas sejam amigas é conviver, é perceber na convivência a vontade de continuar juntas e passar cada obstáculo do tão esquisito coleguismo. Aliás, vamos falar sobre isso: o que é coleguismo? São pessoas que você conhece, mas não são íntimas? No meu mundo, essas são só conhecidas. Coleguismo, para mim, envolve algum tipo de parceria, de entendimento. Pode ser no trabalho, por exemplo, ou em um curso. Pessoas que nem conhecidas são, mas precisam dividir o mesmo espaço.

O que eu sei sobre amizade envolve, na verdade, um tipo de amor que não mais se nota. Envolve cuidado, envolve carinho e principalmente a certeza do que se pode ou não falar e fazer. Amigos de verdade não criam situações falsas, nem causam situações desagradáveis. Mas brigam, brigam sim e às vezes por besteiras. Brigam por ciúmes, por falta de ciúmes, é um tipo de relação que nem sempre os pais entendem. Bom, novamente, não é regra. Existem amigos, existem grupos de amigos, mas cada um tem sua pequena fortaleza. É preciso também respeitá-los como são. Estilo, preferência sexual, falamos de escolhas. Amigos de verdade não precisam de explicações.

Seja um bom amigo, tenha um bom amigo. Mas conviva. E sorria, presenteie, surpreenda. Muitas vezes, o que falta em uma amizade é encontrar o mesmo ponto de partida que se tinha no começo. E vamos falhar, admito. Às vezes leva um tempo, sobretudo com outros amigos chegando, com alguns mais antigos indo embora. Mas é possível, é natural. O que eu sei sobre amizade é que é o caminho mais bonito depois da família. E deve ser valorizado como tal.

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