Quando a sensação gostosa de estar em casa toma conta. E você pensa na vida, nos sonhos e nas horas que vai passar curtindo a sua cama. Quando a sensação é branda, como no fim da noite, quando você decide sair de cena na hora certa.

Quando você repara nas suas roupas ou quando usa alguma peça que nunca pensou usar. E não se importa, porque nenhuma outra opinião vale tanto. Quando você acorda, se espreguiça e a sensação é de que o dia é seu e é leve só porque parece ter acordado ao seu lado.

Quando há realidade, clareza e um tanto de esperteza nessa doçura. Quando há mais de você inteira do que há de meia loucura. Quando há alguma certeza e essa é de que a idade se encaixa. Quando há lugar pros pensamentos e pra pensar fora da caixa.

Quando há paz e algo mais.

Ah, quando a água bater... 

Não vai ter quem me segure, não vai ter quem me atrase. Não vai ter mão que me atrapalhe. Quando a água bater, vai fluir naturalmente. Vai fluir como algo que já é meu, só que mais refrescante. E vai brilhar ao sol, vai refletir, porque quando estamos bem é isso que acontece: reflete.

Quando eu der o próximo passo, quando a água bater nos meus braços e quando eu me der conta de que chegou a minha vez. Ah, não vai ter quem me diga que fez. Que errei ou que preciso fazer de novo. Não vai ter quem me diga que o caminho que encontrei é diferente do meu. Quando eu mergulhar, quando a água bater, eu vou saber, vou sentir. 

Como a gota que escorre pelo meu rosto, como o toque que agora molha meu cabelo. Quando a água bater, levará com ela tudo que não é meu. Mesmo. E eu não vejo a hora.  



Não é difícil encontrarmos alguém sempre pronto a ajudar. Alguém sempre disposto a nos dar conforto em um momento de dificuldade. Mas, vez ou outra, não adianta. A gente precisa chorar, reclamar e deixar sair tudo que está engasgado.

Ninguém é forte o tempo inteiro, ninguém, mesmo sob os melhores conselhos, é feliz o tempo todo. Muitas vezes, a felicidade assume formas interessantes para uns, mas completamente ruins para outros. É natural. Felicidade é o tipo de sentimento que muda, que se adequa. E o grande desafio das pessoas é justamente esse: entender de verdade até que ponto vale a pena.

Não basta falar bonito ou esperar que o outro se toque. É preciso que a gente saiba que cada um segue um caminho e que por mais que nos pareça absurdo, certas pessoas precisam do risco. Do risco, da experiência e da atitude de tentar por elas mesmas, não importa o tamanho do tombo.

Portanto, chore. Se irrite, se descontrole. Deixe a frustração sair quando chegar em casa e perceber que o que você deseja ainda não aconteceu. Arrisque, se preciso. Se a consequência for válida, vá em frente. Você não é menor por isso, nem menos importante. Somos humanos e é totalmente aceitável passarmos por mudanças. Mudanças, inclusive, que definem os nossos sonhos e o nosso modo de pensar.

O que precisamos ter em mente é que ninguém mais é responsável pelos nossos passos. Ninguém mais é responsável pelas nossas escolhas. Uma vez definido, o caminho se faz. Seja qual for. 



Entender que tudo acontece na hora certa. Sim, porque tudo tem seu tempo certo.

Quantas vezes deixamos um sonho de lado? Quantas vezes ignoramos a chance que precisamos porque nos prendemos ao que temos? Crescer é exatamente isso: avaliar nossa posição e preparar o terreno para que algo maior ganhe vez. Crescer, na verdade, é amadurecer o pensamento e deixar que atitude acompanhe. É entender que a vida está aí para ser vivida, mas que cada um é diferente e nem sempre podemos ter todas as coisas.

Amadurecer, inclusive, faz parte de nós. Ninguém é criança o tempo todo e não é a idade que define como somos. Amadurecer, nesse sentido, significa ter a consciência de que nada vem fácil e ter a certeza de que só alcança um objetivo aquele que se dispõe a alcançá-lo. Não, não é fácil. Ninguém disse que é, mas faz parte. Quando a gente cresce, as coisas acontecem e nós enxergamos melhor, sem as camadas e camadas de desejos e sonhos que deixamos para trás na adolescência. Não, eu não estou dizendo que não devemos sonhar. Sonhar é natural e benéfico, acredito que precisamos de sonhos para nos realizarmos. Mas há sempre aquela história que a gente deixa de lado porque descobre caminhos mais interessantes. É ou não é?

Crescer é acordar, levantar da cama e decidir que a vida é agora, que o esforço é válido. Crescer é sorrir nos momentos difíceis e só chorar quando ninguém estiver olhando. Crescer, além de desafiador, é verbo. E só entende sua importância quem aprende a conjugar.

Hoje, aqui em casa.
Nem precisa dizer nada.
Só vem.

Vem que eu te espero, como tenho feito há algum tempo.
É que tem sido difícil seguir adiante sem passar por isso.
E eu acho que hoje é preciso.
Hoje eu sei que preciso.

Por mim, por você.
Pelo que quer que tenha acontecido.
Pelo pouco que sei que falamos da outra vez.

Vem ficar comigo.
Só vem.

Eu faço o jantar.



Crie, invente. De nada adianta reclamar.

De nada adianta apelar, contaminar quem está em volta ou desejar que os problemas desapareçam. Em tempos de crise, fica bem quem tem um sorriso no rosto e a vontade de tentar. A vontade de seguir, de continuar. De cair e levantar mesmo que alcançar o objetivo signifique demorar.

Quando algo não vai bem, sobressai aquele que tem garra. Aquele que encontra empolgação nas coisas simples e agradece ao final do dia. Quando algo não vai bem, não adianta forçar. Aliás, a pior coisa que existe é gente que força a ordem natural das coisas.

Se existe um problema, existe uma solução e isso não significa que ela virá de uma hora para outra. Se existe uma dificuldade, existe um jeito de superar, mas isso não significa que a saída será a mesma para todos. De nada adianta fingir não enxergar, de nada adianta se desencantar com a vida.

Como dizia um professor que tive, em tempos de crise, crie. A diferença é só uma letrinha.



Antes que o dia acabe. Antes que o tempo passe e você perceba que passou mais tempo se queixando do próprio nariz e das próprias curvas do que apreciando o que você tem.

Ame-se primeiro. Olhe-se no espelho e perceba que não há ninguém no mundo com as mesmas características que você. Perceba também que muito do que você quer mudar pertence ao que esperam que você se torne. É o famoso padrão, a famosa ignorância. O tipo de coisa que só existe pra fazer com que você se enxergue pelos olhos de quem acha que vê.

O tipo de coisa que te faz deixar de usar uma peça de roupa pelo julgamento alheio.
O tipo de coisa que faz com que você se sinta inferior a alguém.
O tipo de coisa que te priva, coim o tempo ou com a mídia, de entender que o bonito da beleza é justamente isso: ser o que você quiser.

Ame-se primeiro. Os outros podem esperar.



Palavras presas e um corpo inteiro de sentimentos confusos e intensos. Eu sou feita de sentidos, de momentos e de tudo que eu julgo necessário pra me sentir inteira. Quando contrariada, pressionada, eu enxergo a vida de outra maneira. Eu brilho. Eu tento o meu melhor a cada instante, mesmo que isso não seja visto.

Bem aqui dentro, sou flor. Sou dobrável, sou frágil. É que por fora gosto de ser esse emaranhado de sensações e de linhas que nem sempre se cruzam. Eu gosto de ser sozinha, acompanhada e acompanhante. Gosto de ouvir o que me dizem e de absorver as coisas difíceis. Gosto, de verdade, das coisas simples e do sorriso que vem de longe. Que vem de dentro. Eu gosto do que me arrebata em poucos segundos e me tira o sono.

Eu sou feita de sonhos.

De histórias que escrevo sem pretensões, mas com a pretensão de escrever.
De um bando de pessoas que passa por mim sem me ver.

Bem aqui dentro, eu sou feita do mundo.
E é como se eu soubesse o meu lugar.



Confiança e amor. Fé e maturidade.
Tudo que a idade me faz pedir à medida que o tempo passa.

Peço, de verdade, que você se contente com o que tem. Com o que é, também.
Que você perceba que não precisa de muito para ser feliz.

Peço que você avalie o que fez. O que fez, o que não fez e o que te impediu de fazer o que sempre quis. Que você perceba que, pra ser feliz, basta percorrer o caminho. Afinal, destino é consequência.

Peço paciência. Que você tenha coerência. 
Que deixe fluir o que sente sem medo do que vão pensar.
Que a vida não te endureça.

Peço, por fim, que renove suas energias. Que limpe seus erros e deixe só as lições.

Peço, de verdade, que você leia mais. E sorria. E ria. E levante ao cair.

Que você saiba seguir.

Ser feliz é isso.



É recíproco. Simples assim.

Quando vale, seja amor, seja amizade, é porque a intensidade funciona dos dois lados. É porque é amável, porque é do bem. Porque transmite coisas boas e faz aprender. Quando vale, é porque existe interação e respeito o suficiente pra fazer com que nada interfira. E é assim que deve ser: respeitável, amável e sempre desejando o melhor.

Quando vale, não há cara feia que atrapalhe. Nem bronca, nem distância. Estilo ou escolha, muito menos. Quando vale vira infância e tudo parece mais bonito. Quando vale, é sinal de nascença. Sinal de que em algum momento essa relação já aconteceu. Se ficou ou não, é outra história. Na verdade, ao longo da vida, só fica quem tem de ficar. Não adianta se lamentar, não adianta forçar.

Quando vale é recíproco. E ao dizer isso, quero dizer natural. É quando gera sorrisos e não lágrimas, quando gera proximidade, não mágoas. Quando vale, seja amor, seja amizade, vale porque vem de dentro.