Estou sem sono, não sei no que pensar. Tive um dia longo, absolutamente nada a dizer. E vem a música. A mesma de ontem, da janela ao lado. Como você sabe o que eu gosto? 

Eu deito e escuto atentamente. São notas perdidas, ardentes, é você dizendo que não sabe o que fez de errado. Dizendo nada, claro, é só na minha cabeça. Te imagino dedilhar o violão, contraio meu corpo. Te imagino cantarolar seu som, me escondo. Acho que meu travesseiro não gosta muito da ideia de estar só. Mas, tudo bem, a música flui e enche o quarto, me escondo, me contraio, só sinto. Também deve atrapalhar quem mora no andar de baixo, mas eu não ligo. É engraçado como sua música fala de alguém e nem fala nada. 

Ouço você respirar fundo porque errou o mesmo acorde três vezes. E aposto que deve ter rido de nervoso ao arrebentar mais uma corda, e que parou pra pensar no que está fazendo. De novo. De novo e de novo, como um vício. Ouço você ecoar e me reviro. Deixo os braços sobre a cabeça. Imagino se as notas seriam as mesmas se alguém estivesse assistindo. Ou se afastasse seu violão por puro capricho. Mas a canção continua. E eu sinto, é o que eu faço de melhor. Eu sinto porque é isso que faço quando não sei o que dizer. Mas não importa. Não importa porque escolhi um piano e não sei dedilhar. E porque é o dom de um estranho que me faz dormir.

Eu sei que hoje devemos nos encontrar e comemorar o que temos. Mas, me desculpe, eu preciso perguntar: o que nós temos?

Eu entendo que amor não é ganhar o tempo inteiro, que não é café na cama todo dia e é enfrentar o problema de cada dia juntos. Eu entendo que amor é aquela sensação gostosa que começa no beijo e termina na velhice. Com seus altos e baixos, suas estradas e ruas de terra batida e suas poças de lama, muitas vezes rodeadas de dúvidas. Entendo mesmo. Mas olho pra nós dois e me pergunto o tempo inteiro se é isso que você realmente quer.

Me pergunto se é isso que vê, se é assim que você pensa. Me pergunto se você sabe o quanto importa sua ligação, um dia de dor de cabeça ou o silêncio quando eu simplesmente estou de mau humor. Me pergunto se você também entende que amor é dar a mão e percorrer junto com alguém um caminho que ninguém sabe direito aonde dá. Porque não sabe mesmo, porque amor não é paixão. Porque amor é o tipo de coisa que só enfrenta quem não tem medo de dizer o que sente.

Eu sei que não é a melhor data. Que hoje eu deveria te sorrir, dizer o quanto gosto de você e o quanto você fica bonito de pijama. Eu sei. Mas, pra mim, é a transparência que conta e eu não consigo mais não pensar nisso. Sendo o mais sincera possível, meu amor, talvez não seja eu.
Falar da beleza feminina quando o assunto é moda é ótimo. É bacana elogiar alguém pela roupa bonita, pelo penteado ou pela maquiagem bem feita. Elogios são bons e todas nós gostamos. Mas, falar da beleza feminina, na verdade, é muito simples quando ver além não é o foco. Falar da beleza feminina, nos dias atuais, pode e deve significar muito mais.

Fazer com que uma mulher se sinta poderosa e reconheça o próprio valor tem sido um desafio diário para toda e qualquer pessoa que reconheça a dificuldade que é lidar com o quesito respeito nos dias atuais. Por muito tempo, o batom vermelho significou bem menos do que significa agora, mas muitas mulheres ainda são rotuladas pelo que são, vestem, fazem ou deixam de fazer. Não é difícil encontrar quem aponte suas dúvidas e certezas sem fundamento para quem sabe o seu valor e não abre mão de ser única. Isso precisa mudar.


Precisamos conscientizar as pessoas, deixar claro que gosto não se discute. Precisamos dizer que o batom vermelho, assim como qualquer outro, não é um acessório indispensável para que uma mulher se valorize, mas é, muitas vezes, o que faz com que elas percebam que são capazes do que quiserem. Precisamos dizer que as mulheres podem e devem viajar sozinhas, podem e devem se sentir bem. Precisamos dizer que tudo isso empodera porque deixa claro que nenhuma mulher precisa de rótulos, muito menos ser o que não é.


Reconhecer é bom, mas respeitar é melhor ainda. Não importa a cor do batom, a cor da pele ou a escolha sexual. A beleza da mulher está em ser mulher e isso tem que bastar. Sermos felizes com o que escolhemos é um caminho pessoal, mas o objetivo é em comum e a caminhada ainda é longa. Já sobre os padrões, bom, quem se importa?




Esta é a sexta edição do projeto Red Lips Day e a iniciativa da Mulher Vitrola é tão bacana que não pude deixar de participar! Quem quiser, também pode, é só postar ainda hoje no Instagram uma foto usando batom vermelho com a hashtag #redlipsday2016 na legenda. Mais informações aqui
Tô com raiva de tudo que passou e sentindo falta do que perdi. Tô vendo aquele filme que eu adoro, mas que me faz chorar nas horas certas. E tô pensando em quanto tempo deixei passar. Quanto tempo me deixei levar. Quanto tempo perdi sem você e quanto tempo perdido eu deixei de aproveitar. Haja inconsistência, viu? Não sei se o que quero é o que não tenho ou se até agora só enxerguei de longe porque eu quis. Porque o mundo faz assim com as pessoas. Sabe, eu achei que sabia o que queria. E sabia. Mas acontece que agora tudo mudou. Eu quero mais do que aquele sentimento. Mais do que aquela coisa louca que me fazia desesperar por pouco. Quero a chance de um amor maduro, que me faça rir porque me faz rir, que me faça chorar por razões aceitáveis, que me traga a paz que todo mundo merece ter. Que me faça pensar que os dias valem a pena. Mas não com você... Não com você.



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Que quer agradar mais a si mesma, mas não agrada. Que já passou da idade de entender que plateia não dá resultado, mas ainda espera por aplausos. Esse texto é pra você entender que não está sozinha e que tudo é uma questão de hábito.

Vivemos em um meio onde o que importa são as visualizações. Quase tudo gira em torno do que temos a mostrar e das pessoas que conhecemos. Para alguns profissionais isso é ótimo, mas vivemos em um meio onde o que interessa é o superficial e as pessoas não se interessam muito pelo que está guardado. Você, mais do que ninguém, sabe disso. Suas amizades são quase coleguismo e os julgamentos são sempre por qualquer besteira. Seus sonhos, muitas vezes, são motivo de uma inveja disfarçada, a tal da inveja branca, ainda mais quando você divide uma alegria. Não, hoje em dia não é fácil ser confiante e confiar ao mesmo tempo.

Mas, moça, você pode mudar.

Tudo bem deixar de gostar, desacreditar e se afastar quando preciso. Tudo bem não segurar as pontas dos outros o tempo inteiro. Você precisa saber que é assim mesmo e que nem todos partem do mesmo princípio. Você precisa saber que se valorizar é importante, mas que nenhuma postura é regra. Caso contrário, a vida emperra. A vida e as relações que surgem pelo caminho. Você precisa ter em mente que não é questão de se importar com o espelho, mas de não corresponder ao que não te acrescenta. Pessoas como você podem precisar de um tempo até se convencerem disso e podem se decepcionar com facilidade, mas a boa notícia é que as decepções não duram pra sempre. Perfeição é um conceito bonito, moça, mas é tão relativo quanto o que deve sair pro novo entrar.





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Que dia
Que voz
Presença e saudade
Ausência e metade
Verbos soltos no ar

Quantos acordes
Quantas linhas
Papo furado e verdades
Histórias que se encaminham
Montanhas e nós dois

Que dia
Quantas horas
Oceanos de distância
Canções perdidas

Que dia
Que voz
Presença e saudade
Música e vontade
Paixão no ar

Você.


Há dias em que me sinto exposta. Mas, é aquilo: quem não está? Quem não está no centro das atenções, mesmo que as atenções não sejam o centro de tudo?

Há dias em que me sinto triste, meio gasta. Há dias em que tudo que eu quero é o que basta, ainda que eu não tenha feito nem metade das coisas que desejo fazer. Há vezes em que toda a minha coragem toma forma e um balão sai voando pela minha janela. Há vezes em que ele não volta.


Mas, se quer saber, eu não ligo. Estou aqui pelo mesmo motivo que ele vai embora: pela vida. Pela pressa, pela demora, pela chance da corrida. Estou aqui pra sentir os prazeres e as dores de alguém que sente mais. Pensa menos, vez ou outra, mas sabe que sente mais que a maioria e afasta a vaidade sem medo, se preciso. 


Sabe, eu gosto da minha vida, de não saber de tudo. De brincar de cigana e esperar pelo futuro. Por mais que o meu esteja fadado a um caminho difícil, tão cheio de pedrinhas. Não faço delas o meu castelo, mas faço delas entrelinhas.







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Da saudade, do amor, da raiva e do arrependimento. Minha força vem de dentro, mas não vem como os outros dizem. Não vem só no momento difícil ou de colocar alguma coisa em pratos limpos.

O que eu chamo de força vem no dia a dia, no perceber, ao sentir as coisas e agir, por mais simples que seja tomar qualquer atitude. Um gesto carinhoso me dá força, um momento de choro também. E confesso que acho estranho, e um tanto sem sentido, pensar que só podemos nos dizer fortes depois que o calo aperta. Por que não quando acordamos bem? Por que não quando somos promovidos ou quando a vida se ajeita?

Eu sei, dependendo do contexto, tudo muda. Certos conceitos também. Mas há dias em que é preciso pensar melhor nas coisas. Há dias em que é preciso saber o que buscamos antes de darmos ouvidos ao que estamos acostumados.

Nem sempre vou acertar. Nem sempre serei um poço de positividade, também. Mas cada um tem sua fonte. E ser forte é isso, saber o próprio ponto de partida. Saber o que te projeta, não importa o que significa pro outro. Ser forte é saber que não existe certo ou errado quando o assunto é em que momento colocar a força em prática. Afinal, todo mundo é relativo.





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Não, não olha pra baixo. Você tem que olhar pra cima, fincar os pés no chão e observar o céu, o horizonte. Qualquer linha que ultrapasse a linha dos seus óculos.

Não, não desiste assim. Tenta de novo porque você foi feito pra errar. Se todos fossem feitos pra acertar, o mundo não teria essa coisa chamada graça.

Não acredita nas bobagens que quem não sonha fala. Não acredita em miragem, em sabotagem e no que mais você achar que te bloqueia.

Não, não dá ouvido, não. Você não precisa absorver o que não sai da sua boca.

Não, não olha pros lados se tiver que seguir em frente. O problema dos outros é justamente deixar a atenção se perder no caminho.

Não, não deixa te iludirem. É por sentimentos como esse que ninguém descobre o que realmente quer sentir.

E não, não esquece de sorrir. Nenhum dia sequer, mesmo no pior. É que quem sorri agradece e só quem agradece chega lá.




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Sabe quando alguém joga verde pra saber sobre você? Quando te perguntam algo muito diferente do habitual e você não entende o motivo? Sabe aquelas pessoas que te rodeiam, que te fazem de novela e acompanham tudo que você faz? Passa. Muda o foco e deixa a audiência baixar.



Quando nos deparamos com pessoas tóxicas, a melhor coisa a fazer é ignorar. Muitas vezes, elas nem têm noção de que estão erradas, de que estão atrapalhando. Nesse caso, basta dar um gelo, basta uma boa conversa. Mas, infelizmente, ainda nos deparamos com exagerados. Ainda encontramos durante a nossa caminhada, ou mesmo em um momento relaxado, quem observe todos os nossos passos e transforme a curiosidade em hábito. Ainda encontramos quem goste de saber do nosso dia a dia, da nossa família e mostre o quanto se interessa pelas nossas vidas particulares enquanto sorri.

Há quem diga que só nos observa assim quem deseja ser como nós, o que faz sentido, mas é engraçado como não sabemos lidar com isso quando a pessoa está perto demais. Pode ser alguém da família, uma amiga ou um colega de trabalho. É engraçado como nos afeiçoamos aos outros a ponto de não percebermos quando a recíproca não é mais verdadeira, quando aquela relação se torna secundária. Como deixamos passar comportamentos simples, como olhar atentamente cada item da nossa estante, ou perguntar se vamos ou não fazer aquele curso, o tal que "não deveríamos fazer", porque acreditamos que a pessoa não faz por mal.

Sabe, a questão aqui é reconhecer o desconforto diante daqueles que torcem, discretamente ou não, pra que os nossos passos não sejam maiores do que os deles. É reconhecer que, de vez em quando, precisamos redirecionar nosso conteúdo. Porque, acredite, essas pessoas existem. E por mais que cada um reaja de um jeito, não há nada de errado em deixar passar. Não há nada de errado em tomar o controle. Quando nos deparamos com pessoas tóxicas, a melhor coisa a fazer é ignorar, só que isso também implica em não mostrarmos demais.



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