Dia desses me enfiei numa conversa e não pude não pensar sobre essa história de pegar. Como assim, pegar uma mulher? Pegar pra quê?

Verdade seja dita: hoje em dia quantidade é qualidade. E ao escutar os dois falando abertamente do assunto, não me contive. Quer dizer que mulher se pega? Mulher se escolhe? Não, amiguinhos, não é assim, não.

Mulher é aquela que você conquista aos poucos. Na brincadeira, na real, face a face ou às escondidas. Não importa como você se sente confortável. Mulher se conquista, se namora. Você não pega uma mulher porque sente atração por ela. Você se mostra interessado e, se ela sentir o mesmo, vocês se encontram. Você não pega uma mulher pelo simples fato de que ela não está ali pra ser escolhida.

Posso estar errada no meu modo de pensar, mas quando o assunto é chegar em uma mulher, tem que ter papo, bom papo e principalmente proximidade. E por mais que a pessoa já tenha alguma intimidade, isso não dá o direito de chegar cheio de atitude. 

Quando a conversa me deu brecha, comecei a falar. E achei graça no jeito com que os dois concordavam, apesar de parecerem convictos de que o fato de conversarem comigo sobre o assunto não mudava muita coisa. Assim que terminei, os dois me encararam. E riram, brincando comigo sobre me acharem mulher de verdade. 

Pegar pra quê?, eu disse. Mais risos se seguiram.

Sabe de uma coisa? Sorri de volta e voltei ao que fazia. Ninguém é obrigado a entender, mas eu sei a mulher que sou. 
Ficamos nós. Aqui, sentados, jogando conversa fora. Ficamos nós, só nós, falando de coisas vagas. Da vida, do que falta e do que cansa. Ficamos nós fingindo que nada acontece quando chega a hora de nos encontrarmos.

Enquanto isso, a mente voa. Voa longe e volta. Enquanto a conversa flui e vai embora, mas o pensar continua firme e forte. Enquanto isso, ficamos nós. Olho no olho e o sorriso que vejo agora. O sorriso mais bonito que vi em uma semana.

Pena que é mentira; vejo o sorriso todo dia.
Pena que é agora, mas um de nós vai embora.

Enquanto isso, ficamos aqui. Aqui, sentados, jogando conversa fora. Tudo na tentativa de impedir que a gente se distancie.




Nem sempre as pessoas ficam. Na verdade, a maioria vem só de passagem. Mesmo assim, temos de concordar: por mais que algumas precisem ir, a saudade sempre fica. E isso é bom, se pensarmos bem. Quando sobra a saudade é sinal de que aquela relação, seja qual for, foi verdadeira. E ficou, mesmo que num detalhe, numa foto ou na memória de quem aproveitou o tempo juntos.

Talvez a gente só aprenda com o tempo. Talvez, a gente nunca entenda. Tudo bem, não tem problema. Quando sobra a saudade, é sinal de que somos bons o bastante para sentirmos algo saudável e relembrarmos momentos felizes que tivemos ao lado de alguém. E se esse alguém foi embora por um motivo ruim, mas, ainda assim, guardamos algo bom, melhor ainda. Sinal de que apesar de qualquer problema, soubemos reconhecer que aquela pessoa não foi de todo uma perda.

Amizades, amores, conhecidos. Encontramos todo tipo de relação ao longo da vida. Em certas épocas, para piorar, o vai e vem ocorre ainda mais rápido. Quando sobra a saudade, no entanto, é sinal de que ficou o que deveria, seja um sentimento bom ou ruim. A questão é sabermos definir estas relações. Mas, tudo bem, isso é crescer, evoluir. Isso é seguir a vida e aprender ao longo do caminho. Pode ser que algo mude com o tempo, pode ser que não. Mas, quando sobra a saudade, é fato: é o coração que sente.
É que cansa a repetição
O rever, a intenção
Repetir o mesmo tom
Sem nada mais a dizer

É que cansa o que é bom
O que acaba, perde o tom
O que se esquece com o tempo
E se deixa reviver

É que cansa
Fica à espreita
Como moça direita
Que derrete de paixão

É que fica à sombra a sensação
De ter alguém de volta.


Há dias em que só me pergunto o que fazer. No que me apoiar, em quem acreditar. Há dias em que a fé me falta, mas continua comigo. E me pergunto até quando certos abrigos serão meu ponto de partida. 

Porque eu penso nisso sempre que assisto a um filme que fale de amor ou de espíritos. Porque eu penso nisso quando acordo sentindo que está faltando alguma coisa. E eu acho que está.

Apesar de tudo que já consegui e do nada que costumo pensar que fiz, falta algo importante. Algo que me tire do chão como aquele personagem fez naquele filme. Algo que me permita abrir os braços sob qualquer brisa como se fosse uma ventania. Algo que me arrepie.

Não que eu reclame do que tenho ou da vida, não é isso. Mas há dias em que a gente pensa nessas coisas. E sorri, e se frustra, e acaba de pensar pedindo a Deus que deixe o caminho mais claro. Ou ilumine o daqueles que estamos prestes a encontrar. Porque encontramos, querendo ou não. Porque tudo nesse mundo tem uma razão pra acontecer.

Há dias em que me pergunto várias coisas. 
Há dias em que me sinto parte de algo maior, mas sem respostas. 
Pensando bem, bem agora, acho que o que falta é saber esperar.


É fogo
Arde
Mas dura pouco
Pouco invade

Não vira mais
Não tira a paz
Não vira dor
Nem é amor

É só folia
É alegria
É serpentina
Quando tem

É Carnaval, meu bem
É Carnaval.







Quando a sensação gostosa de estar em casa toma conta. E você pensa na vida, nos sonhos e nas horas que vai passar curtindo a sua cama. Quando a sensação é branda, como no fim da noite, quando você decide sair de cena na hora certa.

Quando você repara nas suas roupas ou quando usa alguma peça que nunca pensou usar. E não se importa, porque nenhuma outra opinião vale tanto. Quando você acorda, se espreguiça e a sensação é de que o dia é seu e é leve só porque parece ter acordado ao seu lado.

Quando há realidade, clareza e um tanto de esperteza nessa doçura. Quando há mais de você inteira do que há de meia loucura. Quando há alguma certeza e essa é de que a idade se encaixa. Quando há lugar pros pensamentos e pra pensar fora da caixa.

Quando há paz e algo mais.

Ah, quando a água bater... 

Não vai ter quem me segure, não vai ter quem me atrase. Não vai ter mão que me atrapalhe. Quando a água bater, vai fluir naturalmente. Vai fluir como algo que já é meu, só que mais refrescante. E vai brilhar ao sol, vai refletir, porque quando estamos bem é isso que acontece: reflete.

Quando eu der o próximo passo, quando a água bater nos meus braços e quando eu me der conta de que chegou a minha vez. Ah, não vai ter quem me diga que fez. Que errei ou que preciso fazer de novo. Não vai ter quem me diga que o caminho que encontrei é diferente do meu. Quando eu mergulhar, quando a água bater, eu vou saber, vou sentir. 

Como a gota que escorre pelo meu rosto, como o toque que agora molha meu cabelo. Quando a água bater, levará com ela tudo que não é meu. Mesmo. E eu não vejo a hora.  



Não é difícil encontrarmos alguém sempre pronto a ajudar. Alguém sempre disposto a nos dar conforto em um momento de dificuldade. Mas, vez ou outra, não adianta. A gente precisa chorar, reclamar e deixar sair tudo que está engasgado.

Ninguém é forte o tempo inteiro, ninguém, mesmo sob os melhores conselhos, é feliz o tempo todo. Muitas vezes, a felicidade assume formas interessantes para uns, mas completamente ruins para outros. É natural. Felicidade é o tipo de sentimento que muda, que se adequa. E o grande desafio das pessoas é justamente esse: entender de verdade até que ponto vale a pena.

Não basta falar bonito ou esperar que o outro se toque. É preciso que a gente saiba que cada um segue um caminho e que por mais que nos pareça absurdo, certas pessoas precisam do risco. Do risco, da experiência e da atitude de tentar por elas mesmas, não importa o tamanho do tombo.

Portanto, chore. Se irrite, se descontrole. Deixe a frustração sair quando chegar em casa e perceber que o que você deseja ainda não aconteceu. Arrisque, se preciso. Se a consequência for válida, vá em frente. Você não é menor por isso, nem menos importante. Somos humanos e é totalmente aceitável passarmos por mudanças. Mudanças, inclusive, que definem os nossos sonhos e o nosso modo de pensar.

O que precisamos ter em mente é que ninguém mais é responsável pelos nossos passos. Ninguém mais é responsável pelas nossas escolhas. Uma vez definido, o caminho se faz. Seja qual for. 



Entender que tudo acontece na hora certa. Sim, porque tudo tem seu tempo certo.

Quantas vezes deixamos um sonho de lado? Quantas vezes ignoramos a chance que precisamos porque nos prendemos ao que temos? Crescer é exatamente isso: avaliar nossa posição e preparar o terreno para que algo maior ganhe vez. Crescer, na verdade, é amadurecer o pensamento e deixar que atitude acompanhe. É entender que a vida está aí para ser vivida, mas que cada um é diferente e nem sempre podemos ter todas as coisas.

Amadurecer, inclusive, faz parte de nós. Ninguém é criança o tempo todo e não é a idade que define como somos. Amadurecer, nesse sentido, significa ter a consciência de que nada vem fácil e ter a certeza de que só alcança um objetivo aquele que se dispõe a alcançá-lo. Não, não é fácil. Ninguém disse que é, mas faz parte. Quando a gente cresce, as coisas acontecem e nós enxergamos melhor, sem as camadas e camadas de desejos e sonhos que deixamos para trás na adolescência. Não, eu não estou dizendo que não devemos sonhar. Sonhar é natural e benéfico, acredito que precisamos de sonhos para nos realizarmos. Mas há sempre aquela história que a gente deixa de lado porque descobre caminhos mais interessantes. É ou não é?

Crescer é acordar, levantar da cama e decidir que a vida é agora, que o esforço é válido. Crescer é sorrir nos momentos difíceis e só chorar quando ninguém estiver olhando. Crescer, além de desafiador, é verbo. E só entende sua importância quem aprende a conjugar.