O que seria a madrugada
Senão um golpe de sorte
Uma estrada a ser seguida
Um estranho no caminho

O que seria o que sinto
Não fosse a falta que me faz
A verdade que escondo
A maldade que ainda guardo

O que seria, de fato
Se o que fica é só o medo
Se o que fica é o desejo
E o que espero é só de mim?

O que seria a madrugada
Não fosse assim a vida
Muito embora as escolhas
Sejam apenas o começo.


Eu escondo de mim qualquer folha de papel. 
Eu faço de mim o esconderijo do que escrevo. 
Eu acerto, eu tropeço. 
Mas o que fica é mais forte, é o que amo. 

É a sensação de rabiscar o papel, é a ideia de fechar os olhos e sentir. 
Sentir o céu, o ar, o que respiro ao respirar. A escrita. Sempre a escrita. 

Mesmo quando eu pensei diferente, mesmo quando pensei ser de gente. Sim, sim, eu sou. Eu amo gente. Mas é que eu sou tão minha quando escrevo, é que eu sou tão minha quando penso, no escuro, com uma caneta na mão e um papel na cama. 

É a emoção que dá, a sensação que faz com que eu pense que nada, nada mesmo, me realiza mais. É o sonho, o sentido, o pensamento aleatório. 
É o amor, a briga, o sexo, a vida, a raiva, o personagem que morre por amor. 
É a sensação de chuva mesmo no sol. É a nuvem que rodeia meus sentimentos mais profundos.

É quando eu respiro fundo, quando me afogo sozinha. 
É quando eu fico de lado por algo que eu mesma deixei de fazer. 
É quando me reconheço, em meio a outro mundo, outros dias. O que eu preciso fazer. 


Agonia e êxtase. 
É catarse. Só catarse.

Nada mais.



De viver, de amar, de corrigir. Segundas chances são sempre positivas, mas quando sabemos aproveitá-las.

Nem sempre o erro é intencional, mas quando deixamos que se repita, há que se verifique. Na vida, o que mais fazemos é acreditar. Acreditar no que queremos, no que odiamos, no que os outros pensam de nós e no que esperamos para o futuro. Acredite, é natural. Mas, se há um detalhe que atrapalha qualquer ponto de evolução, é acreditar nas coisas ruins. Acreditar e persistir no erro.

Quantas vezes insistimos em algo que não é para dar certo? Quantas vezes insistimos em um amor que não é nosso?

Há que se pensar que segundas chances são feitas para crescermos. Para que aprendamos com os erros e identifiquemos o que deve mudar. É, é verdade, nem todo mundo pensa assim. Mas quando a mudança é para melhor, todo mundo agradece. Segundas chances são o meio que a vida tem de nos surpreender, mas é necessário que a gente saiba agradecer a partir das nossas ações. Afinal, nada, absolutamente nada, cai do céu.

Segundas chances são repeteco. Que façamos valer a pena.



Procuro encontrar-te
Não em meros sonhos
Mas busco, à espreita
O dom do amor

Procuro pois sinto
E neste, abrigo
Não apenas sensações
Mas o que por hora vivo

Eis que a busca termina
Quando vejo teus olhos
Outrora, ao destino
Eu deva os meus sonhos

Procuro encontrar-te
Pois amo-te em próclise
E mudo meus versos
Só para que leias.


Insistência, não amor
Permanência, não vontade
Insistência em um sentimento
Que nunca foi verdade

Rotina, não continuidade
Discussão, não conversa
Distância, não saudade
Poesia que não versa

Me pergunto, zero a zero
Te pergunto, ponto cego 
Não sei mais o que dizer

Nem escrever
Nem pensar
Nada

Insistência nula.


O que eu quero, é isso? O tipo de amor que eu quero? Tudo bem, então. Vem cá, senta aqui. A gente precisa conversar.

O que eu acho certo não combina mais com o que sempre foi, mas também não é essa loucura anunciada de hoje em dia. Quando eu penso em amor, eu quero companhia. É, pois é, companhia, não alguém pra ficar comigo na rua, nos bares, nas saídas e na cama. Quando eu penso em amor, eu penso em família, por que não? Mesmo que um dia eu decida ão me casar ou não ter filhos, acho que pessoa que estiver comigo se tornará a minha, concorda? Então eu penso, sim. Mas, já que é o objetivo, eu penso em muitas outras coisas.

O que eu quero é que seja. Isso mesmo, que seja. Que não finja, que não pareça na internet e de verdade seja só brincadeira, tipo aqueles casais de filme adolescente. Sendo muito sincera, o feeling tem que ser o mesmo, mas eu não tenho mais idade pra levar um joguinho de paquera muito longe. E nem tenho mais vergonha, se tiver que me entregar no primeiro encontro. O ponto nem é esse. O ponto, de verdade, é que eu quero um relacionamento.

É, eu sei, nem todos estão prontos pra isso. Pra alguns é desespero, pra muitos é desculpa. Mas, pra mim, é natural. Sabe como é? Eu não fui feita pra ganhar um presentinho no Dia dos Namorados e no dia seguinte não ter um alô do namorado. Eu não fui feita pra estar entre amigos e ser deixada de lado quando o celular toca. Não, não, meu bem, eu sou melhor que isso. Eu fui feita pra curtir alguém que se permite ser meu tempo integral. Eu fui feita pra curtir a minha vida querendo construir com alguém. Se vai ser romântico, fofo, racional ou intenso, não importa. Na verdade, nada disso importa.

Sobre o meu amor, eu tenho prioridades.


Não é não ter medo
Não é desafiar
Não é acordar cedo
Sem saber se vai voltar

Ser corajoso denota força
Mas a força não é visível
Não é sentida, nem incrível
Muito menos faz brilhar

Ser corajoso é enfrentar
É ser por dentro, realizar
É saber seguir os próprios sonhos
E encorajar os que ainda não são

Ser corajoso, afinal, é tentar
Não pensar no que os outros pensam, é tentar
É ter a certeza de que tudo vai dar certo
Sem mostrar o primeiro lugar.


Daqueles bem clichês, daqueles de foto do Instagram. Um amor repentino, de alguns minutos e de um olhar intenso que acaba na estação seguinte. É, não é fácil lidar com dias cheios.

Quando a porta abriu, tudo que eu queria era chegar. Sair dali, ir a algum lugar. Quando a porta abriu e ouvi aquela voz, eu sabia: um clique se formava em mim. Eu esqueceria, mudaria e me perderia em pensamentos nos segundos que viriam, mas, disso, eu não fazia ideia.

Então a porta abriu. De novo. E, de acordo com o vagão, ali era o único ponto em que podíamos nos encontrar. Metrô cheio, sabe como é. Às vezes é como se o amor passasse pela gente, sem identificação, e pedisse licença. Sabe, aquela na pressa?

Durante bons minutos ficamos ali, um na cara do outro. Olho no olho, celular no celular. E mesmo que a conversa parecesse agradar, ainda parecia que tínhamos nos conectado. Por um segundo, de lado, mas tinha acontecido.

Eu reparava seu sorriso, seu olhar atento e seu ouvido. Ok, vai, ninguém repara o ouvido de ninguém, mas a palavra rima e amor de metrô é assim mesmo: repentino e cheio de talvez. Vai que, num conto moderno, a voz do metrô era a trilha sonora? Vai que, num conto moderno, bastava que déssemos um "oi" pra que saíssemos na mesma estação?

Será?




Que venha o novo, que passe o céu
Que enrubesça, que crie asas
Que seja forte, que seja belo
Que remeta ao que é meu

Que seja antigo, que seja novo
Que seja ambíguo, mesmo pouco
Que faça pensar, faça reviver Que seja algo mais
Que termine bem, que recomece Que vire um ciclo, que se revele Que enrubesça, que crie asas
Que me permita seguir.
Levantar todos os dias com a certeza de mudar. Saber que nada acontece por acaso, mas tudo acontece como deve quando nos esforçamos. É saber que a vida é assim mesmo, que tudo é um espelho e que podemos correr o risco.

Amor próprio não é só o vidro que nos separa dos outros. Da inveja, da falsidade e da vaidade de sermos quem somos. Amor próprio não é só reconhecer o quanto precisamos nos valorizar. Amor, próprio mesmo, é sentimento, é virtude. É acordar ciente de que seguir é um desafio. E aceitá-lo.

Amor próprio, ah, amor próprio. Esse termo sugere que devemos nos amar. E devemos, mesmo, mas eu insisto: é maior que isso. O foco é você, mas isso inclui os outros. Inclui quem te rodeia, quem te ama e te odeia. Amor próprio, de verdade, se semeia.

E cresce, e supera. E não considera você maior do que ninguém.

Amor próprio é amar, inclusive. Repara só.

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