Te prendo na retina, te prendo na rotina. Te prendo de tanto jeito que nem me solto mais.

Sempre começa assim. Eu com você, você em mim. Nos pensamentos, na escrita e na saudade. Na vontade que fica de passar colados o dia, a noite e a saideira.

Sempre começa assim e os nossos corpos se arrepiam. Se conversam, se esquivam. Então vem a tensão e o equilíbrio, um tentando fazer o outro compensar a falta que isso faz. Porque faz, a gente sabe que faz.

Te prendo na retina e te prendo na rotina. Por cima, nas nuvens, por baixo dos panos. Te prendo na cortina nos meus planos, no que eu ando a cada esquina. Todo dia, toda hora.

Te prendo de tanto jeito que já nem me solto mais. 

Gosto assim.


Gente que escreve, dizem alguns entendidos, é gente que pensa. Gente que imagina, voa, flui. Gente boa, na maioria das vezes, que gosta de se perder no tempo, no espaço e no mundo da lua, como minha mãe costuma dizer. Gente que escreve é gente que supera o que passa através das palavras. Isso é bonito, considerando que cada um tem um jeito específico de superar qualquer coisa. Mas, não sei se vocês já repararam, quando é na escrita, tudo parece fazer mais efeito.

Seja um problema pessoal, profissional, amoroso ou uma crise. Na escrita, tudo se intensifica. É como se tivesse sido criada pra receber relatos, lembranças e frases de efeito disparadas sob a premissa de encantar quem lê. É como se tivesse sido pensada pra reunir pessoas em estágio pensativo com um único objetivo: tornar palpável o que se sente. Na escrita, ficam as mágoas, as dores. Mas também fica o amor, o tesão e a saudade. Quero dizer, quer psicologia melhor?

Não sei se vocês sabem disso, mas eu aprendo a cada dia. A cada verso, a cada texto e a cada linha. Aprendo a limitar, a não chorar e principalmente a reconhecer as lições que a vida sempre traz. Mas é algo meu, assim como pra vocês a paz pode vir de outras formas. Pra mim, é assim. E é particular, é instigante. É a minha forma de dizer que estou bem quando estou bem e que estou mal quando estou mal. Escrever, assim como ouvir música, cura, cura mesmo. E serve pra todos os males.

Ainda bem.



Enquanto houver
Enquanto ficar
Que dobre o tempo
Que perca o medo

Que conte segredos
Que valha o dia
Que seja eterno
Enquanto ame

Enquanto quiser
Enquanto puder
Que seja bonito
Que seja intenso

Que venha o dia
Que venha a saudade
Que venha à vontade
E decida ficar.



A campanha Leia.Seja. foi criada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros para ressaltar a importância da leitura e incentivá-la. O lançamento foi durante a Bienal do Livro deste ano (vocês conferem na foto abaixo) e o conceito foi simples: trazer personalidades da televisão e do esporte como ícones da nossa literatura, chamando ainda mais a atenção dos jovens e das crianças. Vejam o anúncio aqui.

Hoje, por ser Dia Nacional do Livro, as editoras Arqueiro e Sextante, grande difusoras desta campanha, estão reunindo vários blogueiros e influenciadores digitais em uma blogagem coletiva. Como leitora e agora escritora, o prazer de participar é inegável. Portanto, que tal se eu mostrar a vocês duas das obras da nossa literatura que mais me marcaram? Vamos lá?


Bom, confesso que parei um pouco para pensar antes de escrever essa parte. O que acontece é que tive dois universos muito, muito presentes na minha vida: o criado pelo Maurício de Sousa e o criado por Monteiro Lobato. Mas, apesar de o primeiro ter me ensinado a ler, literalmente, foi o segundo que fez com que eu folheasse um livro, livro mesmo, sem figuras, e gostasse disso pela primeira vez. Sendo assim, tenho os meus escolhidos.

O Minotauro e Histórias de Tia Nastácia. Da coleção inteira, pela edição da Brasiliense, tive uns três ou quatro livros, isso se me lembro bem. Mas foram os dois que citei que tiveram participação ativa no meu crescimento. Perco a conta de quantas vezes meus pais ou minha avó materna leram para mim, ou comigo, esses livros. E me lembro de como era interessante perceber que, na minha cabeça, se formavam as imagens.

Imagem

Outra influência bacana do autor foi a presença da série O Sítio do Pica-Pau Amarelo, ainda na primeira montagem. Certo que não li, de fato, mas mergulhei naquilo todos os dias durante um bom tempo. E é engraçado como a gente lembra, porque até hoje a ligação que me faz é com a minha avó, que já está no céu. Emociona e traz lembranças boas da infância, isso tudo. É ou não é para participar? 
Encerrando a postagem, minha foto ao lado de dois ícones da literatura durante a Bienal: sr. e sra. Visconde de Sabugosa. Comigo, estava uma das minhas amigas. Que tal? Participem também e postem hoje, nos blogs ou nas redes sociais, as leituras que marcaram vocês! Usem a hashtag #leiasejaViva a literatura brasileira!!! 

Quando somos um
Ninguém, nenhum
Quando temos algum
Sonho dividido

Quando nos olhamos
Reparamos, revivemos
Quando nos separamos
No tempo
E nada fica

Ambos sós
Algo preso, os nós
Ambos perdidos no caminho
Sem ideia de andar

De seguir, de correr
De dar as mãos e esquecer
As pessoas, o mundo
O ambiente de trabalho
O ambiente

Ambos sós
Ambos amadores.


Meia-noite. Meia-noite, lua cheia e uma cabeça cheia de sonhos. Não me surpreenderia se percebesse que ainda existe um sentimento.

Quando encontro alguém e me encanto, é automático. É sintoma, é doença, é como se o meu inconsciente resolvesse pensar e trocasse de lugar os pensamentos e as vontades. É normal. Meia-noite, diante da solidão que às vezes surge, meio-dia, diante da correria que faz sentir falta. É normal, é esperado. Mas sempre me deixo de lado quando noto que passei dos limites. Quando a saudade aperta sem sentido, quando o sorriso é sem motivo. Quando eu tento acreditar que aquilo vai adiante.

É que é doloroso quando acaba, é que é desgostoso pensar. É que hoje em dia é mais fácil se apegar e mais difícil estar por perto. 24 horas, convivência. 24 horas, permanência. São tempos difíceis pra quem tem sensações fortes. Pra quem ama forte, pra quem só espera um clique. Pra quem tem na cabeça a certeza de que o amor nasce do dia a dia, não de uma noitada perfeita.

Quando me encanto por alguém, é difícil lidar com o que vem e com o que vai. É difícil lidar com o fato de que nem todo mundo, ou melhor, quase ninguém, guarda no peito o mesmo arrepio que eu sinto toda santa vez que as nossas mãos se tocam. Ninguém mesmo.

Meia-noite. Meia-noite, lua cheia e uma cabeça cheia de sonhos. Não me surpreenderia se percebesse que ainda existe um sentimento, é verdade. Porque existe, mas concluo, em meio a ideias e loucuras de uma mente que não para, que alguns são pra isso mesmo: fazer crescer. Fazer olhar pra frente e enterrar no passo a passo utopia que criamos. Alguns, na verdade, são só pra acordar e sacudir quem se pendurou no mundo da lua, mesmo que por instantes.

E machuca.



Porque nem tudo a gente consegue nomear.

Porque sou feita de dúvidas e verdades que nem todos conseguem ler. Porque amo intenso, escrevo suspenso e demonstro no olhar a catarse que sou.

Quem me define se limita, mas porque sou feita de coisas que mudam. Que chegam e vão, que passam achando que em vão. Porque sou feita de nadas que preencho devagar.

Porque sou mais quando sou por dentro, porque guardo comigo um olhar atento e carinhoso. Porque espero ao invés de atacar e ataco ao invés de esperar, porque reflito o que sinto só de escrever.

Porque nem tudo que eu guardo eu sei soltar. Porque o que me livra é justamente o que me prende, sobretudo no amor.

Quem me define se limita, porque diferentes somos mais. Eu sou.



Penso que não, que não seria, que não teria ao certo o que o amor precisa.
Pra sobreviver, continuar, fazer o nosso faz de conta recomeçar.

Penso que não, que não daria. Pra desculpar o que passou e rebobinar o dia.
Talvez seja a companhia, mas talvez seja só uma questão de mentira.

Penso que não, quero negar. Quero e espero que você vá voltar.
Pra falhar de novo, pra me arrebatar. Pra recomeçar o jogo que eu acabei de acabar.

Penso que não, meu bem. Penso que não.
Estou pronta.


É a qualidade. É a importância que damos, é a maneira com que nos portamos diante daquilo. Não, não é o poder que faz alguém, mas como alguém chega aonde quer.

Estive reparando nas pessoas. É, nas pessoas. Na mania incorrigível de parecerem melhores que outras. Estive pensando nos gays, nas lésbicas, na ideia louca de que precisam se tratar. Estive pensando nos preconceituosos e nos racistas e tudo que consegui enxergar foi um retrocesso. O retrocesso de uma galera que também quer um mundo melhor, mas não faz ou faz ideia de que promove exatamente a piora do que já está ruim.

Estive reparando nos governantes, nos eleitores. É, pois é. Estive reparando em como somos corruptos e como crescemos acostumados a isso, muito embora seja o que muitos passam a vida tentando quebrar, enquanto subornados a continuarem caminhando.

Sabe, é o valor que damos. Esse é o problema. Não, não é o poder, não é estar no topo. Mas é a maneira com que descemos pra alcançar quem não está lá. O problema não é o dinheiro, não é vir de berço, é o que fazemos e o que deixam ser feito com os desvios e com a concentração de riqueza, enquanto passamos a vida torcendo e falando pros outros que qualquer um pode alcançar o que quiser.

Sociedade doentia? Muito. Racista, preconceituosa, dolorida. Sim, dolorida. Enquanto reparava nessas coisas, percebi o quanto certas questões nem são mais culturais, mas características. Sim, é a falta de dignidade. Sim, é o pouco caráter. E isso começa, pasmem, começa ainda na infância, na adolescência e na ideia completamente absurda das brincadeiras de gosto duvidoso, que levam um marmanjo ou dois a acharem que são melhores que os seus colegas de classe.

Será que ninguém vê, de verdade?
Será que ninguém vê, sociedade?

Aí, sim, eu chamo os psicólogos.




Confusão é a palavra que vem quando você aparece. Quando surge pelos cantos, descobre pensamentos e habita sensações que guardo até de longe. Confusão é o que acontece quando nos deixamos levar, mas não levamos em conta o que realmente queremos ou sentimos.

Por você eu sinto afeto. Carinho, afeição. Não sei se é amor, não, confesso. Mas é forte, sabe? É grande, espaçoso, intenso. É o tipo de sentimento que a gente não define porque está ocupado demais tentando administrar. Por você eu rio à toa, brindo, minto. Escolho o que digo porque sei até onde te faço ficar. Mas, confesso: não dá.

Você me confunde com essa perfeição disfarçada, com o jeito simples de falar. Me confunde quando sorri querendo mostrar quem realmente é e quando sorri pra me mostrar o que quer. Pode acreditar, eu sei. Mas você me confunde, principalmente quando não segue adiante. Quando para um instante e parece que volta ao mundo real, um mundo onde quem fica não sou eu.

Confusão. Confusão é a palavra que vem quando você aparece.
Eu queria que você soubesse consertar.