Não ache que vai ser fácil. Qualquer um pode chegar e demonstrar carinho, querendo atenção e companhia. Mas gostar mesmo, de corar as bochechas, de fazer planos e buscar na porta do trabalho, vai ser difícil. Aliás, raro. Raro mesmo.

E não comece achando que é pra sempre. Não comece achando que é perfeito. Nunca é. Quando o assunto é amor, amor de verdade, é preciso cautela. Cautela, maturidade e paciência.

Quando o assunto é amor, é preciso entender que não é qualquer número que te calça. Nem qualquer calçado que agrada seus pés. Quando o assunto é amor, amor de verdade, não é qualquer "eu te amo" que faz sala. Nem pode. Não por pouco. Não pela sensação de ter alguém, não pelo medo de ficar só.

Quando o assunto é amor, você merece alguém que te mereça. Alguém que te veja e reconheça o quanto você sabe que vale.

Quando o assunto é amor, o que vale é a maturidade de saber que tudo tem a hora certa, mas que a escolha precisa ser bem feita. O que vale é saber que aí não é qualquer um que ganha espaço, não se a intenção é não ficar. Quando o assunto é amor, amor de verdade, não se fica de fora, não se ama por pouco.

Por pouco, não.

Ah, minha paz
Consciência tranquila
Meu dia a dia

É só você chegar
Tudo acaba
Você sorri, me desarma
Não sei mais me defender

Me render, talvez
Amanhã vai ser igual
Ah, minha paz
Ah, meu normal

Jogo tudo pro alto
Juro
Se for pra ser futuro

Se for você.

Voltar, tentar, fazer
Amar, teimar, perder
Deixa

Perder a vez
Depois ganhar
Passar o tempo
O tempo voar

Deixa mudar
Ir e voltar
Deixa passar
O que precisa

Deixa mudar
Criar, parar
Refazer

É a vida quem diz
O que deve ser.


Por mais que eu não queira
Por mais que eu evite
Por mais que me doa
Ser boa demais

Sim, sou coração
Sou sentimento, derretida
Alguém de fé na vida
Que sempre tenta outra vez

De novo e de novo
Ou então, na marra
Como alguém que tem garra
E sabe que pode mais

Sim, sou coração
E não me arrependo
Pois quando o faço
É apenas abrigo.





Quando nossas mãos se tocam, quando toca o piano da sala de estar. Quando nos abraçamos, nos beijamos e vemos um ao outro pela janela.

Quando sua voz ecoa pelo corredor, quando algum nó se desfaz numa briga. Quando a barriga explode de tantas borboletas ao mesmo tempo e a vida, ah, a vida ganha cor. Ganha tom. Ganha a nota que você toca quando me dá a mão.

Quando o dia passa, quando a noite cai. Quando toca a música e aqui não soa mais. Quando te ver me dá arrepios, mas tudo o que posso fazer é te arrepiar de volta. Só de olhar.

Dia desses me enfiei numa conversa e não pude não pensar sobre essa história de pegar. Como assim, pegar uma mulher? Pegar pra quê?

Verdade seja dita: hoje em dia quantidade é qualidade. E ao escutar os dois falando abertamente do assunto, não me contive. Quer dizer que mulher se pega? Mulher se escolhe? Não, amiguinhos, não é assim, não.

Mulher é aquela que você conquista aos poucos. Na brincadeira, na real, face a face ou às escondidas. Não importa como você se sente confortável. Mulher se conquista, se namora. Você não pega uma mulher porque sente atração por ela. Você se mostra interessado e, se ela sentir o mesmo, vocês se encontram. Você não pega uma mulher pelo simples fato de que ela não está ali pra ser escolhida.

Posso estar errada no meu modo de pensar, mas quando o assunto é chegar em uma mulher, tem que ter papo, bom papo e principalmente proximidade. E por mais que a pessoa já tenha alguma intimidade, isso não dá o direito de chegar cheio de atitude. 

Quando a conversa me deu brecha, comecei a falar. E achei graça no jeito com que os dois concordavam, apesar de parecerem convictos de que o fato de conversarem comigo sobre o assunto não mudava muita coisa. Assim que terminei, os dois me encararam. E riram, brincando comigo sobre me acharem mulher de verdade. 

Pegar pra quê?, eu disse. Mais risos se seguiram.

Sabe de uma coisa? Sorri de volta e voltei ao que fazia. Ninguém é obrigado a entender, mas eu sei a mulher que sou. 
Ficamos nós. Aqui, sentados, jogando conversa fora. Ficamos nós, só nós, falando de coisas vagas. Da vida, do que falta e do que cansa. Ficamos nós fingindo que nada acontece quando chega a hora de nos encontrarmos.

Enquanto isso, a mente voa. Voa longe e volta. Enquanto a conversa flui e vai embora, mas o pensar continua firme e forte. Enquanto isso, ficamos nós. Olho no olho e o sorriso que vejo agora. O sorriso mais bonito que vi em uma semana.

Pena que é mentira; vejo o sorriso todo dia.
Pena que é agora, mas um de nós vai embora.

Enquanto isso, ficamos aqui. Aqui, sentados, jogando conversa fora. Tudo na tentativa de impedir que a gente se distancie.




Nem sempre as pessoas ficam. Na verdade, a maioria vem só de passagem. Mesmo assim, temos de concordar: por mais que algumas precisem ir, a saudade sempre fica. E isso é bom, se pensarmos bem. Quando sobra a saudade é sinal de que aquela relação, seja qual for, foi verdadeira. E ficou, mesmo que num detalhe, numa foto ou na memória de quem aproveitou o tempo juntos.

Talvez a gente só aprenda com o tempo. Talvez, a gente nunca entenda. Tudo bem, não tem problema. Quando sobra a saudade, é sinal de que somos bons o bastante para sentirmos algo saudável e relembrarmos momentos felizes que tivemos ao lado de alguém. E se esse alguém foi embora por um motivo ruim, mas, ainda assim, guardamos algo bom, melhor ainda. Sinal de que apesar de qualquer problema, soubemos reconhecer que aquela pessoa não foi de todo uma perda.

Amizades, amores, conhecidos. Encontramos todo tipo de relação ao longo da vida. Em certas épocas, para piorar, o vai e vem ocorre ainda mais rápido. Quando sobra a saudade, no entanto, é sinal de que ficou o que deveria, seja um sentimento bom ou ruim. A questão é sabermos definir estas relações. Mas, tudo bem, isso é crescer, evoluir. Isso é seguir a vida e aprender ao longo do caminho. Pode ser que algo mude com o tempo, pode ser que não. Mas, quando sobra a saudade, é fato: é o coração que sente.
É que cansa a repetição
O rever, a intenção
Repetir o mesmo tom
Sem nada mais a dizer

É que cansa o que é bom
O que acaba, perde o tom
O que se esquece com o tempo
E se deixa reviver

É que cansa
Fica à espreita
Como moça direita
Que derrete de paixão

É que fica à sombra a sensação
De ter alguém de volta.


Há dias em que só me pergunto o que fazer. No que me apoiar, em quem acreditar. Há dias em que a fé me falta, mas continua comigo. E me pergunto até quando certos abrigos serão meu ponto de partida. 

Porque eu penso nisso sempre que assisto a um filme que fale de amor ou de espíritos. Porque eu penso nisso quando acordo sentindo que está faltando alguma coisa. E eu acho que está.

Apesar de tudo que já consegui e do nada que costumo pensar que fiz, falta algo importante. Algo que me tire do chão como aquele personagem fez naquele filme. Algo que me permita abrir os braços sob qualquer brisa como se fosse uma ventania. Algo que me arrepie.

Não que eu reclame do que tenho ou da vida, não é isso. Mas há dias em que a gente pensa nessas coisas. E sorri, e se frustra, e acaba de pensar pedindo a Deus que deixe o caminho mais claro. Ou ilumine o daqueles que estamos prestes a encontrar. Porque encontramos, querendo ou não. Porque tudo nesse mundo tem uma razão pra acontecer.

Há dias em que me pergunto várias coisas. 
Há dias em que me sinto parte de algo maior, mas sem respostas. 
Pensando bem, bem agora, acho que o que falta é saber esperar.