Meia-noite. Meia-noite, lua cheia e uma cabeça cheia de sonhos. Não me surpreenderia se percebesse que ainda existe um sentimento.

Quando encontro alguém e me encanto, é automático. É sintoma, é doença, é como se o meu inconsciente resolvesse pensar e trocasse de lugar os pensamentos e as vontades. É normal. Meia-noite, diante da solidão que às vezes surge, meio-dia, diante da correria que faz sentir falta. É normal, é esperado. Mas sempre me deixo de lado quando noto que passei dos limites. Quando a saudade aperta sem sentido, quando o sorriso é sem motivo. Quando eu tento acreditar que aquilo vai adiante.

É que é doloroso quando acaba, é que é desgostoso pensar. É que hoje em dia é mais fácil se apegar e mais difícil estar por perto. 24 horas, convivência. 24 horas, permanência. São tempos difíceis pra quem tem sensações fortes. Pra quem ama forte, pra quem só espera um clique. Pra quem tem na cabeça a certeza de que o amor nasce do dia a dia, não de uma noitada perfeita.

Quando me encanto por alguém, é difícil lidar com o que vem e com o que vai. É difícil lidar com o fato de que nem todo mundo, ou melhor, quase ninguém, guarda no peito o mesmo arrepio que eu sinto toda santa vez que as nossas mãos se tocam. Ninguém mesmo.

Meia-noite. Meia-noite, lua cheia e uma cabeça cheia de sonhos. Não me surpreenderia se percebesse que ainda existe um sentimento, é verdade. Porque existe, mas concluo, em meio a ideias e loucuras de uma mente que não para, que alguns são pra isso mesmo: fazer crescer. Fazer olhar pra frente e enterrar no passo a passo utopia que criamos. Alguns, na verdade, são só pra acordar e sacudir quem se pendurou no mundo da lua, mesmo que por instantes.

E machuca.



Porque nem tudo a gente consegue nomear.

Porque sou feita de dúvidas e verdades que nem todos conseguem ler. Porque amo intenso, escrevo suspenso e demonstro no olhar a catarse que sou.

Quem me define se limita, mas porque sou feita de coisas que mudam. Que chegam e vão, que passam achando que em vão. Porque sou feita de nadas que preencho devagar.

Porque sou mais quando sou por dentro, porque guardo comigo um olhar atento e carinhoso. Porque espero ao invés de atacar e ataco ao invés de esperar, porque reflito o que sinto só de escrever.

Porque nem tudo que eu guardo eu sei soltar. Porque o que me livra é justamente o que me prende, sobretudo no amor.

Quem me define se limita, porque diferentes somos mais. Eu sou.



Penso que não, que não seria, que não teria ao certo o que o amor precisa.
Pra sobreviver, continuar, fazer o nosso faz de conta recomeçar.

Penso que não, que não daria. Pra desculpar o que passou e rebobinar o dia.
Talvez seja a companhia, mas talvez seja só uma questão de mentira.

Penso que não, quero negar. Quero e espero que você vá voltar.
Pra falhar de novo, pra me arrebatar. Pra recomeçar o jogo que eu acabei de acabar.

Penso que não, meu bem. Penso que não.
Estou pronta.


É a qualidade. É a importância que damos, é a maneira com que nos portamos diante daquilo. Não, não é o poder que faz alguém, mas como alguém chega aonde quer.

Estive reparando nas pessoas. É, nas pessoas. Na mania incorrigível de parecerem melhores que outras. Estive pensando nos gays, nas lésbicas, na ideia louca de que precisam se tratar. Estive pensando nos preconceituosos e nos racistas e tudo que consegui enxergar foi um retrocesso. O retrocesso de uma galera que também quer um mundo melhor, mas não faz ou faz ideia de que promove exatamente a piora do que já está ruim.

Estive reparando nos governantes, nos eleitores. É, pois é. Estive reparando em como somos corruptos e como crescemos acostumados a isso, muito embora seja o que muitos passam a vida tentando quebrar, enquanto subornados a continuarem caminhando.

Sabe, é o valor que damos. Esse é o problema. Não, não é o poder, não é estar no topo. Mas é a maneira com que descemos pra alcançar quem não está lá. O problema não é o dinheiro, não é vir de berço, é o que fazemos e o que deixam ser feito com os desvios e com a concentração de riqueza, enquanto passamos a vida torcendo e falando pros outros que qualquer um pode alcançar o que quiser.

Sociedade doentia? Muito. Racista, preconceituosa, dolorida. Sim, dolorida. Enquanto reparava nessas coisas, percebi o quanto certas questões nem são mais culturais, mas características. Sim, é a falta de dignidade. Sim, é o pouco caráter. E isso começa, pasmem, começa ainda na infância, na adolescência e na ideia completamente absurda das brincadeiras de gosto duvidoso, que levam um marmanjo ou dois a acharem que são melhores que os seus colegas de classe.

Será que ninguém vê, de verdade?
Será que ninguém vê, sociedade?

Aí, sim, eu chamo os psicólogos.




Confusão é a palavra que vem quando você aparece. Quando surge pelos cantos, descobre pensamentos e habita sensações que guardo até de longe. Confusão é o que acontece quando nos deixamos levar, mas não levamos em conta o que realmente queremos ou sentimos.

Por você eu sinto afeto. Carinho, afeição. Não sei se é amor, não, confesso. Mas é forte, sabe? É grande, espaçoso, intenso. É o tipo de sentimento que a gente não define porque está ocupado demais tentando administrar. Por você eu rio à toa, brindo, minto. Escolho o que digo porque sei até onde te faço ficar. Mas, confesso: não dá.

Você me confunde com essa perfeição disfarçada, com o jeito simples de falar. Me confunde quando sorri querendo mostrar quem realmente é e quando sorri pra me mostrar o que quer. Pode acreditar, eu sei. Mas você me confunde, principalmente quando não segue adiante. Quando para um instante e parece que volta ao mundo real, um mundo onde quem fica não sou eu.

Confusão. Confusão é a palavra que vem quando você aparece.
Eu queria que você soubesse consertar.




Perto de mim
Perto do céu 

Perto de tudo que é nosso
Tudo o que conhecemos
Tudo o que somos

Perto do nada que fica quando nada temos 

Eu quero assim
E nada importa
Eu quero amor
E quero a vida 

Eu quero assim
Repetitiva
Alguém sem medo
De sentir. 


Vai ser assim, acabou?
Vai ter um ponto final?

E se não existir o fim
E pudermos continuar?
E se agora for assim
E não precisarmos programar?

Nem os planos, nem a vida
Nem o próximo verso
E se o inverso do que vivemos
For justamente a saída?

Você tentaria?
Se apaixonaria?
Reencontraria alguém que deixou?

Viveria de novo os seus sonhos
Os seus medos, os seus erros
Fingiria que nada passou?

E se não existir o fim?
Você já pensou?


Não como todo mundo faz, não como cena de novela. Me ama de verdade, no dia a dia, no abraço na cozinha. Me ama como você faria com a pessoa que escolheu pra viver. Pra dormir, pra acordar, pra massagear seus ombros quando for preciso.

Me ama quando estiver de porre, quando estiver sóbrio. Quando achar que nada mais vai dar certo ou quando perder o emprego. Me ama de verdade, chega em mim sem medo. Não faz como todo mundo, querendo exibição e carinho em público. Não, é sério, não é isso que eu quero. E não adianta tentar, porque eu sou boa, sim, mas só entre mim e você.

Me ama, me beija, se declara. Não fica tímido porque te ensinam que é você que deve chegar. Me ama de verdade, não precisa se assustar. Quando precisar de alguém pra te acalmar, quando achar que não tem mais saída. Quando voltar, de surpresa, ou quando me fizer cafuné.

Me ama, se mostra.
Por enquanto, estou aqui.



Que me faz escrever a noite toda.
Que me faz recusar meus próprios pensamentos.
Quem é você, que de repente surge nos meus sonhos, se recusando a ir embora?

Me pergunto se sabe o quanto me atrapalha. O quanto me tira de foco, o quanto me mora. Sim, porque você mora. E eu não sei mais o que fazer pra te tirar do meu lugar.

Quem é você? Quem é você e o que fez com o que eu sinto agora?
Quem é você pra achar que tudo entre nós dois, tudo que não existe, existe?
Quem é você pra convencer meus pensamentos de que é você que espero?

Me pergunto se é loucura, se é muito tempo sem amar direito. Me pergunto se esse é o jeito que eu encontro de escrever em paz. Sim, porque é tudo que penso, tudo que escrevo.

É o que me faz querer, desejar.
É o que ocupa minha mente quando alço voo.
E voo alto, como se pudesse descer.

Mas não posso. Não sei se quero. Eu não sei nada agora, a não ser que enlouqueço a cada noite que perco pensando no que pensar. E sentir, e buscar.

Quem é você, que me toma sem tocar?
Quem é você?


Tudo começa com a dúvida. Com o medo de perder e o medo de não ser aceito. Tudo começa com a sensação de erro e com vontade de sumir. Sumir mesmo, sair do mapa. A verdade, no entanto, é que isso é impossível.

Tudo começa com a dúvida e comigo foi assim. Amigos a menos, trabalho robótico. Cismas indispensáveis, cismas vulneráveis. O tipo de coisa que qualquer psicólogo gostaria de tratar. Tudo começa da mesma forma, tudo começa com o que não existe. Com o erro, que persiste, com a amizade que não se quer mais.

Eu não sabia, até que tentei. Até que aprendi que me aceitar era o caminho. Quando me perdi, achei que tinha me perdido, mas a verdade é que me encontrei. No dia a dia, no que sentia. Em todas as coisas que sempre fiz porque queria, não porme me induziam. No que escrevia, principalmente. Quando me perdi, me agarrei ao que tinha, à família. Me agarrei ao que acredito porque sabia que nada, de fato, poderia me parar se eu tivesse um objetivo.

E eu tenho, eu gosto. É que a felicidade pode ter o nome que eu quiser, eu aprendi. Inclusive o meu.