De mim, do que sinto e do seu toque. Independente de qualquer coisa, eu realmente não ligo. Se o que estamos dizendo é verdade, então o que importa é o que vivemos. Dia a dia, alma a alma. Cada hora com seu significado, mesmo que termine em final. Sempre termina em final.

Do começo da história, do que guarda a memória. Independente da briga que tivemos ontem. Independente do que resolvíamos juntos, do que não resolvíamos e do choque que tínhamos quando as paredes significavam o limite.

Sabe, mesmo que não tenha dado certo, mesmo que tenha sido passagem: nunca foi. E acho que é por isso que agora estamos nisso, no vai e não vai. Na reação de dois casais que sabem que não são, que não merecem. Na relação entre pessoas que, na verdade, se pertencem. Independente do que aconteça.

Independente do que aconteça.

Coloca as mãos na minha cintura, me beija até o fim do dia. Continua dizendo coisas bonitas, mesmo que estejamos meio brigados. Continua, porque me faz perceber que a vida é assim, cheia de altos e baixos, mas cheia de amor.

Continua sendo um doce quando quer e quando não quer, continua brincando comigo na primeira hora da manhã. Continua, te digo, porque é gostoso soprar no seu ouvido enquanto você acorda.

Coloca o som pra tocar e me puxa com você. Continua dançando comigo, mesmo que a música acabe. Continua me dizendo o que sente quando eu digo o que sinto, continua mentindo quando eu pergunto se você também me ama. Continua, continua essa dança.

É que amor se faz no dia a dia.




Ao que é meu, ao que crio
Ao que vem de dentro
De verdade

Pertencer é arte
É pintura
É cor que brota
É sonho que faz

Pertencer, palavra pura
É a arte de fazer parte
De encontrar um caminho
Que não se caminha só

Ao que é meu, ao que crio
Ao que vem de dentro

Eu que sei.




Quem sabe, meu bem, da próxima vez a gente funcione? Quem sabe, da próxima vez, a gente aprenda que é assim mesmo, que os caminhos, às vezes, não são iguais.

Sabe, quando te vi pela primeira vez, fiquei pensando nas possibilidades. Se seríamos amigos, se seríamos colegas. Fiquei pensando, se fôssemos mais, como seria. Você aturaria o meu jeito faladeira? Eu aturaria o seu jeito reclamão? Quando te vi pela primeira vez, não pensei em muita coisa, na verdade, só imaginei. Isso porque, de alguma forma, eu sabia que seríamos um.

E foi bacana enquanto durou, certo? Pra mim, foi. Tudo bem que nem tudo acontece sempre como a gente deseja e nem tudo na nossa vida aconteceu como nós queríamos, mas acho que aprendemos juntos a lidar com essas coisas. O amor foi intenso, a amizade foi sincera e a vontade de estarmos juntos, ali, coladinhos, só cresceu ao longo dos meses. Mas, um belo dia, tudo começou a desandar e eu me perguntei o motivo, já que estava tudo tão bonito.

A resposta, meu bem, veio da maneira mais incomum possível. Afinal, um amor não sobrevive de ser bonito. Um amor como o nosso, tão certeiro, não poderia sobreviver de um ano inteiro sentindo um pelo outro o que nunca nutrimos enquanto colegas. Bom, é verdade, as relações mudam o tempo todo. Mas percebi, do meu jeitinho mesmo, que nem todo amor é feito pra durar, por mais que seja destinado a acontecer.

Quem sabe, meu bem, as coisas se ajeitem no futuro, eu penso. Quem sabe a gente se encontre de novo e tudo aconteça diferente, com um amor mais maduro e realizado. Quem sabe, meu bem, da próxima vez a gente funcione, não é mesmo? Quem sabe.





Mar revolto, mar agitado
Como o que sinto, como eu

As ondas quebram, eu começo
E mergulho, e me escuto
Como vozes

Como sereias, como seres
Como a água que bate no corpo
E embala o que sinto sozinha

Minha, só minha
Só meu, o mar

De mais ninguém.





Maturidade é coisa que é colocada à prova todos os dias. Não importa como, não importa o meio, o teste vem de todas as formas. A cada dia que passa, no entanto, ficamos mais incomodados com os menores deles. E, às vezes, pasmem, são realmente mesquinhos.

A arte de ignorar, como a de deixar passar, ou passar por cima, se preferirem, começa cedo. Começa na escola, com brincadeirinhas sem importância, começa na faculdade, com interesses avessos aos nossos e começa no trabalho, muitas vezes, com medidas impostas ou preferências secundárias. Mas isso não significa que saibamos identificá-las, que saibamos lidar com elas. Até certo ponto da vida, na verdade, apenas nos deixamos levar, carregando toda a energia negativa que é esperada daquele que se coloca como o mais importante.

Bom, este texto visa mostrar que não, não é assim para sempre. Primeiro, porque se cresce e ao crescer, se adquire conhecimento, o que permite uma mudança de visão. Segundo, porque ninguém é dono de ninguém, mas é aos poucos que a gente percebe que certas coisas funcionam melhor quando completamente ignoradas. Sim, ignoradas. Sem respostas, sem debates, sem ibope. Com o tempo, a gente aprende que além de tudo se tornar ensinamento, tudo nos constrói. E o simples fato de nos deixarmos construir por sentimentos de raiva ou rancor, exatamente o oposto do que vivenciamos, estraga o bem que nos rodeia.

Quantas vezes perdemos o sono por pessoas sem importância? Quantas vezes nos deixamos levar pela mesma imaturidade com que lidamos? A arte de ignorar, por assim dizer, é de desenvolvimento lento e gradual. Não é de aprendizado rápido, nem se consegue de um dia para o outro. Mas exige persistência, exige deboísmo e exige a gentileza para com nós mesmos de não nos importarmos com o que não vem de dentro. Afinal, maturidade é particular. E como diz a frase, cada um dá exatamente aquilo que tem.




Quando fica a sensação
de missão cumprida
Quando fica a certeza
de que algo se fez

Quando fica a verdade
e vai embora a raiva
A mágoa,o rancor
A falta do que tínhamos

Quando fica a saudade
mas fica saudável
porque, na verdade
o amor transcende

Sempre.


Acordar e ter a consciência de que a vida é a mesma, de que as pessoas não mudam. Acordar e ter a consciência de que a vida segue normal, não importa o quanto a gente mude. Não importa o quanto a gente cresça, o quanto a gente perceba diferente certas coisas. Chega um dia em que a gente acorda e olha ao redor, mas olha e vê. E se pergunta se é mesmo isso aí, como diz o cantor. 

Chega um dia em que a gente se pergunta se é isso que entendemos como viver, como conviver. Se é através de diferenças, se é através de discussões, discordância ou intolerância. Chega um dia em que a gente se dá conta que crescer é isso, é enxergar. Quem são as pessoas, o que são as coisas. O que leva um ou outro a agir como agem. 

Acordar, na verdade, significa acessar um universo que muitas vezes nos é poupado. Um universo em que são os adultos que definem, que limitam. Adultos que nem sempre sabem bem o que fazem. E a gente acorda, querendo ou não. Por vontade própria ou pela vida, que pede evolução. A gente acorda e tem a consciência de que a vida é a mesma, de que as pessoas não mudam. A gente acorda e tem a consciência de que a vida segue normal, por mais que muito do que se considere normal seja impossível para uns ou outros.  

Sabe, chega um dia em que a gente olha ao redor e vê. E é interessante como isso nos afeta. 
Talvez, só talvez, escrever seja a minha forma de demonstrar maturidade. 







Que fique, que demore e que faça voltar os sorrisos contínuos.
Que continue menino, continue fazendo acreditar.

Que seja alegria, risada solta e um bando de flores no jardim da frente.
Que seja da gente o estímulo quando o assunto for desistência.

Que una o amor aos seus e os seus ao amor, que faça algum sentido nos corações mais duros.

Que traga sementes a serem plantadas, não só por vontade, mas por esperança.
Que traga com o vento a bonança, porque a tempestade sempre passa.

Que faça acreditar naquilo que o sonho traz, que faça plantar a ferramenta para começar.

Que fique, que demore e que faça perdurar a empatia.
Que continue, que persista, mas que faça valer.

Que seja carisma, sabedoria e bondade, que traga a verdade e elimine a dor.
Que seja de nós a metade, ainda que falte um tanto de amor.




Pra ficar, pra ficar de vez
Pra tocar meu rosto, me beijar
Condição pra tanta coisa
Condição pra tanto afeto

Pra me abraçar nos dias frios
Pra me beijar de novo
Condição de tempo, de espera
Condição que aqui nada nega

Condição pequena, ego enorme
Condição que cega, mas que garante
Pra ficar, pra ficar de vez
Pra tocar meu rosto, me namorar

Condição, só
E eu fico também.