É a qualidade. É a importância que damos, é a maneira com que nos portamos diante daquilo. Não, não é o poder que faz alguém, mas como alguém chega aonde quer.

Estive reparando nas pessoas. É, nas pessoas. Na mania incorrigível de parecerem melhores que outras. Estive pensando nos gays, nas lésbicas, na ideia louca de que precisam se tratar. Estive pensando nos preconceituosos e nos racistas e tudo que consegui enxergar foi um retrocesso. O retrocesso de uma galera que também quer um mundo melhor, mas não faz ou faz ideia de que promove exatamente a piora do que já está ruim.

Estive reparando nos governantes, nos eleitores. É, pois é. Estive reparando em como somos corruptos e como crescemos acostumados a isso, muito embora seja o que muitos passam a vida tentando quebrar, enquanto subornados a continuarem caminhando.

Sabe, é o valor que damos. Esse é o problema. Não, não é o poder, não é estar no topo. Mas é a maneira com que descemos pra alcançar quem não está lá. O problema não é o dinheiro, não é vir de berço, é o que fazemos e o que deixam ser feito com os desvios e com a concentração de riqueza, enquanto passamos a vida torcendo e falando pros outros que qualquer um pode alcançar o que quiser.

Sociedade doentia? Muito. Racista, preconceituosa, dolorida. Sim, dolorida. Enquanto reparava nessas coisas, percebi o quanto certas questões nem são mais culturais, mas características. Sim, é a falta de dignidade. Sim, é o pouco caráter. E isso começa, pasmem, começa ainda na infância, na adolescência e na ideia completamente absurda das brincadeiras de gosto duvidoso, que levam um marmanjo ou dois a acharem que são melhores que os seus colegas de classe.

Será que ninguém vê, de verdade?
Será que ninguém vê, sociedade?

Aí, sim, eu chamo os psicólogos.




Confusão é a palavra que vem quando você aparece. Quando surge pelos cantos, descobre pensamentos e habita sensações que guardo até de longe. Confusão é o que acontece quando nos deixamos levar, mas não levamos em conta o que realmente queremos ou sentimos.

Por você eu sinto afeto. Carinho, afeição. Não sei se é amor, não, confesso. Mas é forte, sabe? É grande, espaçoso, intenso. É o tipo de sentimento que a gente não define porque está ocupado demais tentando administrar. Por você eu rio à toa, brindo, minto. Escolho o que digo porque sei até onde te faço ficar. Mas, confesso: não dá.

Você me confunde com essa perfeição disfarçada, com o jeito simples de falar. Me confunde quando sorri querendo mostrar quem realmente é e quando sorri pra me mostrar o que quer. Pode acreditar, eu sei. Mas você me confunde, principalmente quando não segue adiante. Quando para um instante e parece que volta ao mundo real, um mundo onde quem fica não sou eu.

Confusão. Confusão é a palavra que vem quando você aparece.
Eu queria que você soubesse consertar.




Perto de mim
Perto do céu 

Perto de tudo que é nosso
Tudo o que conhecemos
Tudo o que somos

Perto do nada que fica quando nada temos 

Eu quero assim
E nada importa
Eu quero amor
E quero a vida 

Eu quero assim
Repetitiva
Alguém sem medo
De sentir. 


Vai ser assim, acabou?
Vai ter um ponto final?

E se não existir o fim
E pudermos continuar?
E se agora for assim
E não precisarmos programar?

Nem os planos, nem a vida
Nem o próximo verso
E se o inverso do que vivemos
For justamente a saída?

Você tentaria?
Se apaixonaria?
Reencontraria alguém que deixou?

Viveria de novo os seus sonhos
Os seus medos, os seus erros
Fingiria que nada passou?

E se não existir o fim?
Você já pensou?


Não como todo mundo faz, não como cena de novela. Me ama de verdade, no dia a dia, no abraço na cozinha. Me ama como você faria com a pessoa que escolheu pra viver. Pra dormir, pra acordar, pra massagear seus ombros quando for preciso.

Me ama quando estiver de porre, quando estiver sóbrio. Quando achar que nada mais vai dar certo ou quando perder o emprego. Me ama de verdade, chega em mim sem medo. Não faz como todo mundo, querendo exibição e carinho em público. Não, é sério, não é isso que eu quero. E não adianta tentar, porque eu sou boa, sim, mas só entre mim e você.

Me ama, me beija, se declara. Não fica tímido porque te ensinam que é você que deve chegar. Me ama de verdade, não precisa se assustar. Quando precisar de alguém pra te acalmar, quando achar que não tem mais saída. Quando voltar, de surpresa, ou quando me fizer cafuné.

Me ama, se mostra.
Por enquanto, estou aqui.



Que me faz escrever a noite toda.
Que me faz recusar meus próprios pensamentos.
Quem é você, que de repente surge nos meus sonhos, se recusando a ir embora?

Me pergunto se sabe o quanto me atrapalha. O quanto me tira de foco, o quanto me mora. Sim, porque você mora. E eu não sei mais o que fazer pra te tirar do meu lugar.

Quem é você? Quem é você e o que fez com o que eu sinto agora?
Quem é você pra achar que tudo entre nós dois, tudo que não existe, existe?
Quem é você pra convencer meus pensamentos de que é você que espero?

Me pergunto se é loucura, se é muito tempo sem amar direito. Me pergunto se esse é o jeito que eu encontro de escrever em paz. Sim, porque é tudo que penso, tudo que escrevo.

É o que me faz querer, desejar.
É o que ocupa minha mente quando alço voo.
E voo alto, como se pudesse descer.

Mas não posso. Não sei se quero. Eu não sei nada agora, a não ser que enlouqueço a cada noite que perco pensando no que pensar. E sentir, e buscar.

Quem é você, que me toma sem tocar?
Quem é você?


Tudo começa com a dúvida. Com o medo de perder e o medo de não ser aceito. Tudo começa com a sensação de erro e com vontade de sumir. Sumir mesmo, sair do mapa. A verdade, no entanto, é que isso é impossível.

Tudo começa com a dúvida e comigo foi assim. Amigos a menos, trabalho robótico. Cismas indispensáveis, cismas vulneráveis. O tipo de coisa que qualquer psicólogo gostaria de tratar. Tudo começa da mesma forma, tudo começa com o que não existe. Com o erro, que persiste, com a amizade que não se quer mais.

Eu não sabia, até que tentei. Até que aprendi que me aceitar era o caminho. Quando me perdi, achei que tinha me perdido, mas a verdade é que me encontrei. No dia a dia, no que sentia. Em todas as coisas que sempre fiz porque queria, não porme me induziam. No que escrevia, principalmente. Quando me perdi, me agarrei ao que tinha, à família. Me agarrei ao que acredito porque sabia que nada, de fato, poderia me parar se eu tivesse um objetivo.

E eu tenho, eu gosto. É que a felicidade pode ter o nome que eu quiser, eu aprendi. Inclusive o meu.





Caminha comigo, vamos até o lago. Caminha comigo de mãos dadas. Lá eu te digo o que sinto cada vez que te vejo.

Por lá eu te digo e você me responde. Vamos olhar um para o outro, vamos conversar sobre sentimentos. Vamos colocar em pratos limpos tudo o que estamos sentindo.

Sim, porque estamos. Estamos e sabemos.

Sim, porque queremos e você sabe que estou aqui. Esperando, ansiosa, esperando uma resposta que enxergo em você, mas você finge negar.

Caminha comigo, vamos até o lago. Eu prometo que te beijo até o fim.

Vem.





Mais do que você sempre tentou. Crie uma agenda, crie uma rotina. Faça de conta que nada aconteceu e tente de novo. Quando o esforço dobra, a recompensa corre.

E, pra ser sincera, não é questão de recompensa. É questão de seguir de cabeça erguida, questão de se superar. Quando tentamos alcançar um objetivo com afinco, é com afinco que a vida devolve o empenho. Tente mais, refaça. Esqueça a opinião alheia e corra atrás do seu objetivo. Não importam os amigos, não importa o motivo. Tente mais porque é a sua verdade que está em jogo.

Ou por você. Por todas as vezes que as coisas deram errado pela falta de um empurrãozinho. Por todas as vezes que você se arrependeu de uma escolha por outra. Tente mais, tente de novo. Nenhum sonho acaba por decidirmos o que precisamos decidir. Às vezes, de fato, deixamos de lado algumas ambições porque o destino implica. Fazemos o que precisamos para viver melhor e isso é natural. Mas, nada, na vida, se esconde por muito tempo. Portanto, não faça o mesmo.

Tente mais, tente melhor. Esforce-se, esse é o verbo. Quando o assunto é a sua verdade, quem sabe mais é você.



O que seria a madrugada
Senão um golpe de sorte
Uma estrada a ser seguida
Um estranho no caminho

O que seria o que sinto
Não fosse a falta que me faz
A verdade que escondo
A maldade que ainda guardo

O que seria, de fato
Se o que fica é só o medo
Se o que fica é o desejo
E o que espero é só de mim?

O que seria a madrugada
Não fosse assim a vida
Muito embora as escolhas
Sejam apenas o começo.