É hoje, é depois
Agora, nós dois
Num dia qualquer

Quem sabe é agora
É aqui, é afora
É de longe, de perto
É o tempo que der

Quem sabe é esperto
E repete, abastece
Satisfaz, como deve
E fica de vez

Quem sabe, não sei
Quem sabe, talvez

Talvez
E só.



Há quem chame de frescura, há quem chame de drama. Ser intenso, nos dias atuais, significa não dominar os próprios sentimentos. Melhor dizendo, muitas vezes traduz alguém sem equilíbrio emocional. Será?

Já faz um tempo que é assim: se você sente, você guarda, especialmente se a sua verdade for capaz de magoar alguém. Já faz um tempo que expor os sentimentos mais profundos é sinônimo de fraqueza. Bom, ao menos é o que parece, já que gente forte consegue se controlar. Mas, fica a dúvida: será mesmo que a gente sabe o que é ser forte?

Força significa garra, não a capacidade de engolir o choro. Muitas vezes somos fortes e não sabemos, muitas vezes encontramos nossa força em um abraço. Isso acontece porque força é algo que vem de dentro e não tem exatamente um caminho. Não é mais fraco que você alguém que chora no cinema ou que fica bobo quando se apaixona. Não é mais forte que você alguém que ignora o outro ao invés de responder a uma provocação. Cada um tem um jeito de ser e é preciso que saibamos disso.

A intensidade vem com a maneira que encontramos de lidar com a nossa força. Algumas pessoas se julgam intensas sem dizer "eu te amo", enquanto outras se julgam intensas justamente pela facilidade com que o fazem. Isso é maravilhoso, porque são os sentimentos que dizem quem somos. E como não somos iguais, a resposta é uma só.

Sobre intensidade, é interessante que tenhamos em mente que não é necessário julgar. A qualquer momento você pode ser parte do clube dos intensos, a qualquer momento pode não ser mais. O que vale é reconhecer o lugar em que você se sente bem. Não importa o dia, não importa o que dizem. Aliás, quem foi que disse que o que dizem dita algo sobre você?



Que seja
Quando for, que seja
Mas que venha completo
E ame por inteiro

Quando for a hora
Quando chegar o dia
Quando for sentimento
Só tempestade

Que venha
Não pela metade
Não pelo que falta
Mas pelo que fica

Quando for, que seja
Que traga abrigo
Que divida sonhos
Que seja a dois.


Que desejamos no outro o que vemos por aí e que defendemos bem alto quem fala o que sente. Que não desistimos na primeira tentativa e que apagamos da memória qualquer coisa que atrapalhe a nossa segunda chance.

Clichês somos nós, amigo. Você e eu. Gente que ignora o olhar de quem não é exatamente quem gostaríamos que fosse, mas bloqueia o carinho de um conhecido porque é de um conhecido, não de uma doce amizade.

Clichês somos nós porque a gente assiste a filmes que fazem chorar e acha bonito alguém se deixar sofrer enquanto assiste a um romance dramático. Porque acreditamos em destino, porque a gente ama bonito e gosta de flores nas horas certas.

Clichês somos nós porque ninguém mais tem a mesma habilidade quando a palavra é saudade. Quando é reciprocidade, então, é questão de domínio.

Clichês somos nós porque nós sentimos. E isso é maravilhoso.



Naquela festa, naquela noite. Reparei de longe, enquanto você se gabava de algo que havia comprado.

Permaneci ali até que me visse de volta, o que não aconteceu. Mas tinha alguma coisa em você, tinha alguma coisa no seu sorriso. Não me parecia real.

Lembro de ter pensado que era só impressão. Afinal, você se gabava e sorria quando alguém mais dizia como era bom estar na sua pele. Lembro também de como me senti quando percebi que seus amigos se afastaram e seu olhar baixou ao ficar só.

É, eu sei. Estar rodeado de pessoas não é estar acompanhado, não é?

Reparei de longe, ainda de lado, o jeito com que coçou o queixo e se despediu. Sorriso típico de fim de festa. Tudo que eu queria, pensei, era que você me visse de volta. Você, que te vissem por fora.

Então te vi. E acho que entendi porque não aconteceu.

Ri, ri mais. Coloca pra fora o que te deixa ansioso, o que te acelera. Ri, mas ri com força. Manda embora as energias negativas. Nunca o negativo fez bem a alguém.

Ri porque é assim que o dia passa leve, é assim que a vida sugere outros capítulos. É quando rimos por dentro e por fora só ouvimos. Quando rimos por fora e por dentro somos juízo. Ri porque faz bem, porque rindo tudo faz mais sentido e porque de sorriso aberto é a vida que entende.

Ri, mas ri com vontade. Nada de alguma metade ou de parte da conversa. Ri do todo, do que interessa, do que deu errado e do que ainda vai dar. 

Ri, contagia. Em grupo, a dois, todo dia. Ri que facilita. Já tem gente demais fingindo que faz.



Não ache que vai ser fácil. Qualquer um pode chegar e demonstrar carinho, querendo atenção e companhia. Mas gostar mesmo, de corar as bochechas, de fazer planos e buscar na porta do trabalho, vai ser difícil. Aliás, raro. Raro mesmo.

E não comece achando que é pra sempre. Não comece achando que é perfeito. Nunca é. Quando o assunto é amor, amor de verdade, é preciso cautela. Cautela, maturidade e paciência.

Quando o assunto é amor, é preciso entender que não é qualquer número que te calça. Nem qualquer calçado que agrada seus pés. Quando o assunto é amor, amor de verdade, não é qualquer "eu te amo" que faz sala. Nem pode. Não por pouco. Não pela sensação de ter alguém, não pelo medo de ficar só.

Quando o assunto é amor, você merece alguém que te mereça. Alguém que te veja e reconheça o quanto você sabe que vale.

Quando o assunto é amor, o que vale é a maturidade de saber que tudo tem a hora certa, mas que a escolha precisa ser bem feita. O que vale é saber que aí não é qualquer um que ganha espaço, não se a intenção é não ficar. Quando o assunto é amor, amor de verdade, não se fica de fora, não se ama por pouco.

Por pouco, não.

Ah, minha paz
Consciência tranquila
Meu dia a dia

É só você chegar
Tudo acaba
Você sorri, me desarma
Não sei mais me defender

Me render, talvez
Amanhã vai ser igual
Ah, minha paz
Ah, meu normal

Jogo tudo pro alto
Juro
Se for pra ser futuro

Se for você.

Voltar, tentar, fazer
Amar, teimar, perder
Deixa

Perder a vez
Depois ganhar
Passar o tempo
O tempo voar

Deixa mudar
Ir e voltar
Deixa passar
O que precisa

Deixa mudar
Criar, parar
Refazer

É a vida quem diz
O que deve ser.


Por mais que eu não queira
Por mais que eu evite
Por mais que me doa
Ser boa demais

Sim, sou coração
Sou sentimento, derretida
Alguém de fé na vida
Que sempre tenta outra vez

De novo e de novo
Ou então, na marra
Como alguém que tem garra
E sabe que pode mais

Sim, sou coração
E não me arrependo
Pois quando o faço
É apenas abrigo.