Pense em mim quando não quiser
enquanto ainda não te causa nada
Quando abrir a janela, feche os olhos
eu estarei lá, nos seus pensamentos

Pense em mim se não tiver o que pensar
e o dia não for tão produtivo quanto queria
quando menos esperar, alguma coisa virá
e eu serei o exemplo de que você lembrará

Pense em mim, amor
mesmo que não saiba que o é
O meu amor

Eu passaria a tarde te admirando
só pra guardar seu olhar comigo
Quem sabe, um dia, sejamos um só
até o final do caminho

Mesmo que não seja eterno
mesmo que seja algo escondido
mesmo que ainda não saiba que é
O meu amor

Te peço.
Porque penso em nós dois, mas também penso em mim. Meu talvez porque hoje enxergo o que é mais importante e isso se traduz no meu espelho. Porque não adianta amar, mas não receber o mesmo amor. Não adianta tentar, perder noites de sono, se as noites perdidas nem são ao lado de quem se ama.

Meu talvez porque talvez seja isso, talvez seja o recomeço. O entendimento de que não, não sou dependente de você ou de um sentimento que simplesmente acabou. Meu talvez, meu amor, porque entendi e reconheço a grandeza de um caminho novamente aberto. Pra você, pra mim e por vias bem distantes. Se te encontrarei um dia, não sei, mas saiba disso. Tenha certeza, venha seguro, mas nada do que digo mudará. Vivamos.



Talvez não, eu digo. Talvez não seja assim. Quando o assunto é amizade, há que se perdoar, há que se reconsiderar. Nem todo amigo é verdadeiro, eu sei, mas há quem não seja por simplesmente não saber.

Não, nem todo amigo tem consciência de que não é. Nem todo amigo pensa no outro nas horas certas, pensa no outro quando o outro precisa. Somos humanos, erramos e temos de ter noção de que não é possível controlar tudo. Como canso de dizer, amizade é seleção, mas a seleção é natural. E mesmo que alguns amigos cheguem e vão, é imprescindível que façamos sempre o possível para manter aquele relacionamento.

Parto do princípio de que temos que ser a nossa melhor versão. Meio torta, talvez, meio incerta e às vezes rodeada de erros e consertos, mas temos que tentar, não importa o que aconteça. Talvez não, eu digo. Talvez não seja fácil, tampouco uma atitude simples. Mas quando o assunto é amizade, entendo que nada se acaba de repente ou acaba sem motivo, nem deve ser assim. Por isso, mesmo que o outro não reconheça ou custe a reconhecer sua parceria, continue. Mesmo que não demonstre nas horas que deve ou seja presente só por ser. Cada pessoa tem que ser o seu melhor e, cá entre nós, nem todos possuem as mesmas qualidades.

Pensando alto, acho que a verdade sobre nossos amigos é muito simples: eles são o que eles são. E acho que cabe muito mais a nós manter ou não por perto quem nos merece do que depositar nos outros a responsabilidade de crescer um sentimento que, muitas vezes, parte de um lado só.



Vem, vira meu abrigo. A vontade que sigo sentindo de te acompanhar. Vem porque é comigo a história e é narrada por dois. Vem porque não tem certo ou errado e a gente repete o caminho quantas vezes quiser.

Vem porque nos pertencemos, porque entendemos os sentimentos que escondemos no começo. Vem porque é apreço, é saudade, é vontade que não se larga. Vem, não se intimida, muda de rumo e me encontra na calçada. Me diz que não é nada, que veio pra ficar.

Demora, se quiser, mas vem porque vem. Porque combinamos, ainda cedo, de sermos só um do outro. Vem porque é pouco o tempo que passamos juntos, porque vale cada segundo. Vem porque você sabe, mais do que eu, o que é se apaixonar.


Reluz, vira paz
Faz de conta
Não existe

Quando é luz, sobrevive
Cria todas as respostas

As memórias, os sons
O que ainda chamamos de dom

Quando é luz, vira paz
Mas pelo que leva
Não pelo que vai.


Sobre o que fica, o que dura. Sobre o que a vida chega e muda, como se caminhasse nossos passos. Só o que sei é o que faço, o que ainda me faz feliz. Só o que sei que é solidão, só o que sei que é paixão. Só o que sei uma série de coisas, embora ainda seja aprendizado.

Só o que sei, se tiver que dizer, digo que nada sei porque estou a entender. E a seguir, apesar de só, acompanhada de tanta gente. É sobre o que causa, é sobre o que flutua. Sobre as coisas que sobram e a gente prepara com os mesmos temperos. Sobre ontem, amanhã, o dia inteiro. Sobre um mundo de gente que nem sempre nos vê.

Só o que sei.



Aos que veneram, aos que instigam
Aos que tornam as palavras verdade

Aos que brilham sós, mas acompanham
Aos que espalham seu amor pelos cantos

Aos que amam sem pedir em troca
Aos que fazem sem querer de volta
Aos que insistem em perdoar

Aos que erram ao acertar e
aos que acertam tentando

Gratidão.


Quando eu olhar pra ele, quero que me veja de volta. Quero que enxergue meus defeitos como eu o enxerguei, mas quero que reconheça em mim a pessoa que vai ficar ali, ao lado dele, até o último minuto possível.

Quando eu olhar pra ele, quero que saiba que sou a mesma de sempre. E que vou continuar fazendo tudo que prometi a mim mesma que faria quando encontrasse o meu par. Quero que ele saiba que tem em mim uma amiga, além de qualquer outra coisa, que tem em mim uma verdadeira ouvinte.

Quando eu olhar pra ele, quero identificar o nosso primeiro sorriso, nosso primeiro beijo e todas as coisas que pensamos que estragariam esse relacionamento pelo simples fato de termos passado, os dois, um tempo considerável sem nos encontrarmos na vida. Quero sentir, pelas bochechas coradas, que encontrei o cara certo porque ele vai me olhar de volta e passar toda a confiança que construímos juntos assim que resolvemos embarcar nessa aventura.

Quando eu olhar pra ele, quando nossos olhares se encontrarem, quero sentir a cumplicidade que nos prometemos naquele início. E que seja um início, não importa quanto vai durar. Porque queremos, porque estamos. Porque vou estar disposta ao que tiver que estar quando for a hora.

Quando eu olhar pra ele, espero que saiba que terá em mim sua mulher. Porque é isso que vou querer me tornar.

Amém.


O soar da tua voz me arrepia quando chega e mesmo que eu esconda, meu olhar te reflete. Finjo te observar escondida, mas o que os olhos perdem é revelado pela alma. O tom que eu vejo é o mais brilhante possível e o marrom dos teus olhos se torna vivo sob a luz. Finjo que é apenas muito tempo sem encontrar uma razão, sorrio em plena tarde e me sento ao seu lado como se não soubesse o que aflora em mim.

Não sei como a lua influi no comportamento e não faz mais diferença se é nova ou cheia, pois permito que me ilumine o rosto e ilumine o seu desde que não amanheça. E eu minto, finjo para mim mesma que sou só uma conhecida, por mais que saiba ser mais, por mais que eu saiba que sinto algo forte por dentro. Algo que me prende ao seu olhar, talvez sua voz, que ecoa e ecoa até que eu durma e esqueça.

Pode ser só impressão, talvez alguma solidão. Talvez eu só me sinta só, mas o sentimento persiste e eu preciso dizer o quanto me toca. Espero paciente por um sorriso de volta, um sorriso que vem tão devagar quanto o vento no verão. Mesmo que não se complete, sei que o tenho, faz morada em mim embora não haja pedido. Nos meus sonhos, distraída e acordada, até que desapareça a imagem de nós dois, penso que valeria cada segundo. Independente de quem somos, juntos ou não, penso que qualquer momento valeria se fosse a eternidade a responsável por coroar esse sentimento, o mesmo que sinto quando não estamos próximos, mas sinto teu rosto próximo ao meu.

O seu e o meu, juntos, não importa o que aconteça. O meu anjo.

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Escolhas. Escolhas que fazemos enquanto o tempo passa. Saudades são memórias, são pertences que guardamos de forma que nada, ninguém, consegue encontrar. E acessamos sem medo, acessamos com desejos, trazemos sentimentos que não deveriam ser companhia.

Não, nem sempre as saudades são vivas. Nem sempre trazem paz, nem sempre trazem colo. Às vezes, desmedidas, trazem dores que só se curam na presença do nada, na falta de registros. Muito embora insistamos no erro, muito embora saibamos dos anseios do que chamamos de alma.

Saudades, concluo, são imagens que ficam porque alguma coisa precisamos levar. Aprendizado, tombo, acertos. Saudades são feitos dos quais nos orgulhamos por alguns instantes, por isso nos lembramos com tanta força. Tanta, talvez, que precisemos apagá-las, tantas que configuram perda e choro, raiva e falta. Quanto a isso, cabe a nós a visão do lado bom.